O Sul do Brasil, abrangendo os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, consolidou sua posição como a principal porta de entrada para fenômenos meteorológicos severos no país.
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A região não enfrenta essas adversidades por acaso; ela é o ponto de encontro geográfico onde massas de ar polar da Antártida e da Argentina colidem com o calor úmido vindouro do interior do continente. Essa convergência térmica cria o cenário ideal para instabilidades atmosféricas que resultam em ventos fortes, raios e chuvas intensas.
A influência do relevo e o “resfriamento” das massas
A topografia desempenha um papel crucial na intensificação dessas tempestades. Planaltos e serras, como a Serra do Mar e a Serra Geral, agem como barreiras físicas que forçam o ar úmido a subir rapidamente. Esse movimento gera o chamado resfriamento adiabático, que condensa a umidade e forma nuvens de tempestade do tipo cumulonimbus.
De acordo com dados do INMET, essa orografia característica da região pode amplificar a gravidade de um evento climático em até 100% quando comparada a áreas planas. O resultado direto dessa dinâmica é a ocorrência frequente de granizo e, em situações mais extremas, tornados.
Ciclones extratropicais e o fator oceânico
O Oceano Atlântico é outro protagonista na regulação climática sulista, expondo o litoral a sistemas conhecidos como ciclones extratropicais ou “bombas ciclônicas”.
Recentemente, entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, órgãos como a Defesa Civil de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul emitiram alertas críticos para ventos que ultrapassaram os 110 km/h, provocando ressacas e alagamentos volumosos. “A Defesa Civil de Santa Catarina relata ciclone extratropical em dezembro de 2025 causando temporais, ventos de até 100 km/h, alagamentos e ressacas no litoral e serras”.
Esses sistemas são alimentados pela interação entre o frio polar e a umidade subtropical, gerando prejuízos bilionários e riscos constantes à infraestrutura costeira.
Mudanças climáticas e o impacto do El Niño
O cenário atual é agravado pelo aquecimento global e por fenômenos cíclicos como o El Niño. Relatórios do IPCC indicam que a atmosfera, agora mais quente, retém mais energia, tornando as tempestades entre 10% e 20% mais extremas.
Entre 2023 e 2024, o El Niño aqueceu as águas do Pacífico, alterando padrões de circulação e aumentando em 30% a frequência de frentes frias no Sul. O Cemaden aponta que o Brasil vive uma “era dos extremos”, onde cerca de 70% dos eventos adversos nacionais concentram-se justamente nesta região.
Estado de alerta permanente em 2026
O início de 2026 mantém o padrão de severidade. O INMET emitiu alertas laranjas para os três estados, prevendo chuvas de até 100 mm por dia e risco iminente de quedas de árvores e inundações.
As previsões do Ministério do Desenvolvimento Regional reforçam a gravidade, com ventos superiores a 100 km/h e granizo. Com projeções indicando que a frequência desses eventos deve crescer até 2030, o Sul do Brasil reafirma-se não como uma área “amaldiçoada”, mas como um ponto crítico onde as dinâmicas globais de mudança climática se manifestam com maior vigor.



