Desde dezembro de 2022, a Petrobras reduziu em 16,4% o preço da gasolina vendida às distribuidoras, passando de R$ 3,08 para R$ 2,57. No entanto, esse movimento não se refletiu no bolso do consumidor. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o valor médio do litro nos postos subiu 37,1% no mesmo período, saltando de R$ 4,98 para R$ 6,33.
PARTICIPE DO NOSSO GRUPO NO WHATSAPP E RECEBA NOTÍCIAS
Ao longo desses três anos, a estatal realizou 11 reajustes, sendo oito reduções e três aumentos. Mesmo assim, o custo para abastecer um tanque de 50 litros ficou R$ 67,50 mais caro, considerando o aumento médio de R$ 1,35 por litro registrado pela ANP.
Em algumas regiões, o impacto foi ainda maior: na última semana, o preço máximo da gasolina chegou a R$ 9,29, em postos de Barueri e Guarujá, em São Paulo.
O que compõe o preço da gasolina
Atualmente, a Petrobras responde por 28,4% do valor final pago pelo motorista.
O restante do preço envolve a
- mistura com etanol (16,4%),
- impostos federais (10,7%),
- ICMS estadual (24,8%) e
- as margens de distribuição e revenda (19,6%).
Segundo Renato Mascarenhas, diretor da Edenred Mobilidade, “Desde a tributação até chegar ao posto, existe um caminho completo que envolve logística, custos operacionais e a própria dinâmica regional que pode afetar os valores”.
Especialistas apontam que fatores como o aumento do ICMS em R$ 0,10 por litro e a valorização do etanol dificultam a redução nas bombas.
Para o professor Ricardo Hammoud, do Ibmec-SP, “Algumas mudanças tributárias e a valorização do etanol fizeram com que o valor final da gasolina aumentasse nos postos”.
Debate sobre concorrência e distribuição
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, atribui parte do problema à privatização da BR Distribuidora. E
m entrevista, afirmou que a estatal foi criada para atuar “do poço ao posto” e que, após sair da ponta final da cadeia, perdeu capacidade de influenciar o preço ao consumidor.
“A gente abaixa o preço do combustível, mas as distribuidoras em geral alargam suas margens e isso [queda dos preços] não alcança o consumidor final”, declarou.
Já os postos rejeitam essa leitura. O presidente do Sincopetro-SP, José Alberto Gouveia, afirma que a margem dos postos permite reduzir apenas até R$ 0,06.
“O governo precisa ser claro e destacar que a Petrobras não interfere no resto da cadeia, mas, como ele não faz, o dono do posto vira vilão”, criticou.
Além disso, irregularidades no setor também pesam.
A Operação Carbono Oculto revelou o uso de postos para lavagem de dinheiro, criando um “mercado paralelo” que não recolhe impostos nem cumpre obrigações trabalhistas. “Isso estreita a margem de todo mundo”, afirmou Gouveia.




