Com a chegada do Carnaval 2026, além da festa e da alegria, cresce também a preocupação com a saúde. Para esclarecer dúvidas e reforçar orientações preventivas, a RBV Rádios conversou com o médico infectologista Bruno Vitiritti.
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O profissional destacou a atenção para a chamada “doença do beijo”, conhecida tecnicamente como mononucleose infecciosa. Segundo ele, a enfermidade é causada pelo vírus Epstein-Barr e é transmitida principalmente pelo contato com a saliva.
Entre os sintomas mais comuns estão febre alta, aumento dos gânglios no pescoço e nas axilas (linfonodomegalia), intensa prostração e dores de garganta, podendo ser confundida com faringite.
Outro ponto abordado foram as chamadas viroses de Carnaval, comuns em ambientes com grande circulação de pessoas. De acordo com o médico, esses quadros costumam estar relacionados à higiene inadequada, principalmente em banheiros públicos, consumo de bebidas em latas sem higienização e ingestão de alimentos de procedência duvidosa.
Essas infecções, geralmente transmitidas por via fecal-oral, podem causar diarreia aguda, febre alta e, em alguns casos, presença de sangue e muco nas fezes. Apesar do desconforto, costumam ser autolimitadas, durando de cinco a sete dias. O tratamento recomendado é repouso e hidratação intensa.
Além das viroses, a Bruno Vitiritti reforça o alerta para as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), que tendem a registrar aumento durante o período festivo.
“Trabalhamos muito em cima dessa questão da prevenção. Principalmente falando sobre camisinha. As doenças sexualmente transmissíveis ou as infecções sexualmente transmissíveis são muito comuns, não só nesse momento, mas em todo o ano”, ressaltou.
Entre as ISTs citadas estão gonorreia, clamídia, sífilis, HPV e HIV. O médico lembrou que, embora existam estratégias como PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) e PEP (Profilaxia Pós-Exposição) para o HIV e a chamada DoxiPEP (Profilaxia Pós-Exposição com Doxiciclina) em alguns contextos, o preservativo continua sendo a principal forma de prevenção.
Ele também destacou que o consumo excessivo de álcool e outras substâncias pode reduzir a percepção de risco e diminuir o uso da camisinha, aumentando a vulnerabilidade.
“Recomendamos que realmente, se for beber, beba de modo moderado, que você ainda tenha consciência, se for usar alguma substância, de modo consciente também, para que não aconteça nenhum exagero e nenhuma preocupação a mais, além só das ISTs”.
A testagem é apontada como passo fundamental na prevenção. Durante o mês de fevereiro, os cidadãos podem procurar uma unidade de saúde para realizar testes rápidos de HIV, sífilis e hepatites B e C.
Em caso de diagnóstico positivo, o encaminhamento para tratamento deve ser imediato. No caso do HIV, o início precoce da terapia permite que o paciente atinja carga viral indetectável, tornando-se intransmissível após determinado período.
“Que o carnaval de 2026 seja feliz para todos nós. Que cada um se proteja da maneira como realmente vê que necessita se proteger, mas acima de tudo, prevenção, cuidar do outro, cuidar de si, sempre em primeiro lugar”, define Bruno Vitiritti.



