A recente decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar as tarifas que impactavam produtos brasileiros trouxe alívio ao setor industrial, especialmente à cadeia de base florestal em Santa Catarina. Apesar da sinalização positiva, o momento ainda exige prudência, avalia Leonir Tesser, vice-presidente regional da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc).
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Segundo Tesser, os últimos meses foram extremamente desafiadores para o segmento. A partir de julho e agosto, as empresas passaram a sentir de forma mais intensa os efeitos da medida adotada pelo governo norte-americano, que reduziu a competitividade das indústrias catarinenses no mercado externo.
“O setor como um todo sofreu sobremaneira nesses últimos meses. A indústria de base florestal perdeu competitividade. Uma indústria extremamente qualificada, de alta tecnologia, de produtos de excelência em qualidade, ser afetada por um evento extraordinário que pegou de surpresa todo o setor. Mas a nossa indústria é resiliente, eu acho que ela soube passar esse momento difícil”, avalia.
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A reversão das tarifas foi anunciada na sexta-feira, dia 20, mas ainda há incertezas sobre os desdobramentos jurídicos e comerciais. De acordo com Tesser, a informação preliminar é de que eventuais taxas menores teriam validade limitada a 150 dias, o equivalente a cinco meses.
“É ainda um momento que requer muita cautela. Mas, sem sombra de dúvida, a notícia é positiva, vai ajudar o setor, um setor que estava investindo maciçamente e que tem uma importância muito grande na economia caçadorense”, explica Tesser.
O dirigente também destacou a atuação da Fiesc, que intensificou articulações institucionais em Brasília. Segundo ele, houve diálogo com o vice-presidente Geraldo Alckmin e outras lideranças, além da expectativa de uma conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, prevista para o dia 10 de março, na busca por uma solução definitiva.
Paralelamente, o Sesi e Senai desenvolveram ações para minimizar os impactos, como apoio à prospecção de novos mercados. Ainda assim, Tesser ressalta que a abertura de novas frentes comerciais é um processo gradual, que exige tempo e investimentos.
Tesser também mencionou a atuação do presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, que assumiu a função em meio ao início do tarifaço e liderou uma série de reuniões e articulações para demonstrar o impacto das medidas sobre Santa Catarina, estado com forte perfil exportador. “Nosso presidente com a habilidade que ele tem, contribui muito para construir um caminho que mitigue toda esta situação”.
Outro ponto destacado foi a estratégia adotada pelas indústrias da região para manter seus clientes no exterior. Em alguns casos, empresas concederam descontos superiores a 20% para evitar a perda de espaço no mercado norte-americano e impedir a substituição de produtos brasileiros por concorrentes.
Agora, com a suspensão das tarifas, já há sinais de retomada nos pedidos. Ainda assim, Tesser pondera que o cenário é recente e que qualquer avaliação mais definitiva seria precipitada.
“Já se percebe pelo menos um movimento no sentido de retomar aquilo que a gente tinha, e essa é a expectativa. Vamos aguardar os próximos passos, afinal de contas tudo isso aconteceu em menos de uma semana, é bem prematuro a gente formatar uma opinião concreta a respeito disso”, define o vice-presidente regional da Fiesc.




