A noite da última sexta-feira (27) não foi apenas mais uma data no calendário de Caçador, mas um verdadeiro portal para o passado no teatro da Uniarp. O evento “Handebol em Foco”, idealizado pela Associação Caçadorense de Handebol (ACHb), transformou o auditório em um caldeirão de nostalgia ao reunir 74 nomes que suaram a camisa para colocar o município no mapa esportivo de Santa Catarina. No centro desse furacão de memórias estava ela: Sônia Bridi. A jornalista, que hoje percorre o mundo denunciando crises climáticas e humanitárias, voltou para casa com o sorriso de quem recorda os melhores anos da juventude.
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Em um bate-papo exclusivo com a equipe da Rádio Caçanjurê e do Portal RBV, Sônia transbordou gratidão pelo convite que a trouxe de volta ao berço. “Quando eu soube que ia ter esse evento, eu disse: eu não posso faltar”, confessou com os olhos brilhando. Entre risadas, ela resgatou a imagem da “caçulinha” que defendeu as cores da cidade nos Jogos Abertos entre 1977 e 1979. Com a humildade de quem já conquistou o topo, ela brincou sobre o próprio desempenho técnico: “eu era a piorzinha do time”, mas logo emendou que a quadra foi seu primeiro grande teste de resiliência e formação de caráter.

Uma escola de vida além das quatro linhas
O encontro serviu para mostrar que o esporte regional é muito mais que placares e medalhas; é um motor de integração. Para Sônia, a disciplina exigida pelo handebol foi o alicerce de sua postura profissional no jornalismo investigativo. “Você aprende que vai fazer um monte de esforço e vai ficar melhor do que você era ontem. Aprende que dá trabalho tentar a excelência”, pontuou, reforçando que a busca pelo melhor resultado na TV nasceu nos treinos intensos em Caçador.

Com o suporte crucial do Fundo Social e do Sicoob Vale dos Pinhais, a cerimônia abraçou gerações de técnicos e dirigentes. Sônia fez questão de validar o esforço de cada um presente: “Esse reconhecimento de quem começou é legal para as pessoas entenderem que elas também estão fazendo um pouquinho de história”. É o resgate de um legado que, muitas vezes, acaba esquecido na correria do dia a dia, mas que define quem somos hoje.

Do jornal de papel ao topo do telejornalismo
A conexão de Sônia com a comunicação também brotou por aqui, de um jeito bem corajoso. Aos 14 anos, ela não esperou a sorte bater à porta; foi até o historiador Nilson Thomé e pediu uma chance no jornal Imprensa Catarinense. Com o empurrão do professor Guerino Weber, a semente foi plantada. Quase cinco décadas depois, ela segue inquieta, adiantando que já trabalha em três novos especiais para os próximos meses, mantendo o fôlego que a levou a coberturas históricas, como a crise Yanomami.
Antes de se despedir do público caçadorense, ela deixou conselhos que servem como bússola:
- Para quem faz jornalismo: “A profissão exige imensa responsabilidade porque pode destruir vidas e pode construir oportunidades”.
- Para quem joga handebol: “Vivam muito, treinem muito, briguem para ganhar. Mas não esqueçam que a grande lição são as amizades e os laços que você faz”.
A noite terminou com aplausos de pé, celebrando não apenas a carreira de uma estrela nacional, mas a força de uma comunidade que sabe honrar quem veio antes.





