Impactos econômicos e sociais marcam debate sobre espécies invasoras

Caçador possui expressiva atividade florestal e o assunto foi debatido sobre impactos na geração de empregos, exportações e desenvolvimento

Com forte participação do setor de base florestal, Caçador recebeu, no dia 25 de maio, um debate técnico sobre espécies exóticas invasoras. Realizado na ACIC, o evento reuniu especialistas, pesquisadores e lideranças para discutir os impactos ambientais, sociais e econômicos do tema em uma região onde a atividade florestal é estratégica.

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O evento teve como objetivo ampliar o diálogo técnico sobre a proposta em análise na Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), que trata da listagem de espécies exóticas invasoras. A discussão envolve a possível inclusão de espécies como pinus e eucalipto em uma lista do Ministério do Meio Ambiente, medida que pode trazer reflexos significativos para o setor florestal, especialmente em Santa Catarina.

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A iniciativa foi promovida pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, presidida pelo deputado federal Valdir Cobalchini. Além de apresentar diferentes perspectivas técnicas, o evento buscou alertar sobre os impactos dessa proposta na geração de empregos, nas exportações e no desenvolvimento regional, ao mesmo tempo em que propôs soluções embasadas em dados científicos.

O debate em Caçador integrou uma agenda iniciada em Brasília, no dia 20 de maio, durante audiência pública conjunta das comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS) e de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR), que discutiram a criação da Lista Nacional Oficial de Espécies Exóticas Invasoras Prioritárias. Na sequência, o seminário técnico no município reuniu grande público e reforçou a mobilização do setor no Sul do país.

Entre os palestrantes estiveram Mauro Murara, diretor executivo da Associação Sul Brasileira de Reflorestadores e presidente do Comitê Florestal da FIESC; Yeda Malheiros de Oliveira, pesquisadora da Embrapa Florestas com 48 anos de experiência; Fabiano Muller Silva, secretário executivo da Aquicultura e Pesca de Santa Catarina; e o deputado federal Valdir Cobalchini. Também participou do encontro o diretor executivo da Associação de Empresas de Base Florestal do Paraná, Ailson Loper, que destacou a relevância da discussão para toda a região Sul.              

Ao final do evento, foi aprovada a chamada Carta de Caçador, documento assinado por diversas entidades e que será encaminhado ao Ministério do Meio Ambiente e ao Ministério da Agricultura. O manifesto reforça a preocupação do setor com os desdobramentos da proposta e defende a construção de soluções técnicas equilibradas.

Assinaram a Carta de Caçador as seguintes instituições: Associação Catarinense de Empresas Florestais (ACR), Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), Universidade Alto Vale do Rio do Peixe (UNIARP), Associação Empresarial de Caçador (ACIC), Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC), Sindicato da Indústria Madeireira de Caçador (Simca), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), Embrapa Florestas, Secretaria de Aquicultura e Pesca de Santa Catarina, Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) e Sindicato dos Produtores Rurais de Caçador.

O deputado federal Valdir Cobalchini reforçou a necessidade de uma análise mais ampla sobre a proposta. “A avaliação integrada dos impactos socioeconômicos, regulatórios e jurídicos é essencial para decisões proporcionais e tecnicamente fundamentadas, sobretudo quando se trata de espécies que são base de cadeias produtivas relevantes para o Brasil”, destacou

Carta de Caçador destaca preocupações do setor florestal

Documento aprovado ao final do seminário e encaminhado aos ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura, a Carta de Caçador reúne o posicionamento conjunto de entidades do setor produtivo, academia e instituições regionais.

O texto manifesta preocupação com a proposta de atualização da Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras, em discussão na Comissão Nacional da Biodiversidade (Conabio), apontando possíveis impactos econômicos, sociais e regulatórios.

Entre os principais pontos destacados estão:

Risco de prejuízos ao setor florestal, especialmente com a possível inclusão de espécies como pinus e eucalipto, amplamente utilizadas na produção nacional;

Falta de estudos mais aprofundados sobre os impactos econômicos e sociais da medida;

Necessidade de maior participação do setor produtivo e da comunidade científica na construção da proposta;

Preocupação com insegurança jurídica e possíveis restrições ao desenvolvimento da atividade florestal.

A carta também reforça a importância de análises técnicas, como estudos de impacto regulatório e custo-benefício, antes da definição de qualquer medida.

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Fonte:
Portal RBV | com informações Ascom Acic

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