A ultramaratonista Débora Simas, de 55 anos, alcançou um feito histórico neste domingo (9), em Florianópolis. Após permanecer sete dias correndo em uma esteira instalada no Beiramar Shopping, a atleta completou 168 horas de prova e chegou a 866,21 quilômetros percorridos.
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O resultado superou o recorde mundial anterior, que pertencia à neozelandesa Emma Timmis. A meta inicial de Débora era alcançar 846 quilômetros durante o desafio, mas ela conseguiu avançar ainda mais nos últimos quilômetros.
A conquista encerra uma prova marcada por esforço físico extremo, poucas horas de sono, dores musculares e articulares e momentos em que a equipe precisou adaptar a estratégia para garantir a continuidade do desafio.
Desafio exigiu resistência física e mental
A prova começou no domingo (2) e exigiu uma estrutura especial para que a atleta permanecesse na esteira durante praticamente toda a semana.
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Atrás do equipamento, uma barraca serviu como espaço para os períodos de sono, higiene, recuperação e atendimento médico. Débora também teve acesso a um banheiro exclusivo dentro do shopping.
Durante a maior parte da prova, a alimentação e a hidratação ocorreram enquanto ela permanecia em movimento. O descanso, por outro lado, precisou ser cuidadosamente controlado.
Nas primeiras noites, a ultramaratonista dormiu cerca de três horas. Conforme o desafio avançava, os períodos de sono eram ajustados de acordo com a distância percorrida, o nível de desgaste e as condições físicas apresentadas.
Câimbra quase interrompeu o desafio
O momento mais delicado ocorreu na quarta-feira (5), quando Débora sofreu uma forte câimbra e chegou perto de perder os sentidos.
A equipe médica precisou intervir e, diante da situação, refez parte do planejamento para os dias seguintes. O episódio mostrou a importância do acompanhamento profissional em uma prova que ultrapassou seis dias de esforço contínuo.

A atleta também enfrentou dores musculares e articulares, contraturas e outros episódios de cansaço ao longo do percurso.
“Foram sete dias muito intensos. Tive que enfrentar o sono, as dores, o cansaço e momentos em que a cabeça precisava ser mais forte do que o corpo. Eu sabia o quanto havia trabalhado para estar aqui. Foram dois anos me preparando para esta semana. Então procurei não pensar nos mais de 846 quilômetros. Pensava no próximo quilômetro, no próximo passo. Foi assim que consegui continuar”, celebrou a ultramaratonista e agora detentora do recorde mundial.
O médico Daniel de Souza Carvalho acompanhou a atleta durante o desafio e destacou a importância do preparo psicológico diante das dificuldades.
“A Débora teve uma câimbra forte, quase apagou, e percebemos que seria necessário refazer o planejamento. Em uma prova de sete dias, não basta ter condicionamento físico. A parte mental pesa muito e é preciso saber responder ao que acontece”, detalha o especialista.
Cerca de 110 profissionais participaram da operação
Para viabilizar a tentativa de recorde, Débora contou com uma grande equipe de apoio. Cerca de 110 profissionais participaram da operação em diferentes momentos.
O grupo reuniu médicos, fisioterapeutas, enfermeira, nutricionista, treinador, técnicos, árbitros, profissionais de apoio e voluntários.
Os integrantes trabalharam em sistema de revezamento durante as 24 horas do dia. Dessa maneira, a atleta recebeu acompanhamento contínuo durante as diferentes etapas da ultramaratona.
A evolução da quilometragem demonstrou a intensidade do desafio. Ao completar 24 horas, Débora já havia percorrido 143,51 quilômetros.
Confira a progressão registrada durante a prova:
- 24 horas: 143,51 quilômetros;
- 48 horas: 270,32 quilômetros;
- 72 horas: 381,42 quilômetros;
- 96 horas: 517 quilômetros;
- 120 horas: 619,32 quilômetros;
- 144 horas: 730,60 quilômetros;
- 168 horas: 866,21 quilômetros.
Com a marca final, a brasileira ultrapassou a distância que havia estabelecido como objetivo e assumiu o recorde mundial da modalidade.
Segunda tentativa trouxe resultado histórico
Esta não foi a primeira vez que Débora Simas tentou estabelecer uma marca expressiva em uma esteira.
Em 2019, também em Florianópolis, a ultramaratonista percorreu 800,61 quilômetros no equipamento e conquistou o recorde sul-americano da modalidade.

A relação da atleta com as corridas começou há 22 anos. Na época, Débora trabalhava em uma lanchonete de academia na capital catarinense e decidiu participar de uma prova de nove quilômetros.
Ela terminou a competição no pódio e, desde então, transformou a corrida em uma trajetória marcada por desafios e conquistas.
Ao longo da carreira, Débora participou de quase 300 provas e alcançou pódios em todas elas. Entre os feitos estão a marca de primeira mulher a correr mil quilômetros no Brasil e a conquista de ser a primeira mulher a completar a Volta à Ilha em dupla feminina.
A atleta também acumula o tricampeonato e o recorde da BR-135, além de participações em campeonatos mundiais realizados na Holanda e na Espanha.
Desafio também teve ação solidária
Além da tentativa de recorde, o evento promoveu uma iniciativa voltada à arrecadação de alimentos para animais.
Duas esteiras foram colocadas ao lado daquela utilizada por Débora. O público interessado poderia participar da atividade doando um quilo de ração para cães ou gatos por cada quilômetro percorrido.
Cada participante poderia correr ou caminhar até cinco quilômetros. A ação foi destinada a pessoas com mais de 15 anos.
Os alimentos arrecadados serão encaminhados para a Ecopet Tampas, de Florianópolis, e para a Castra Ação, de Barra Velha, no Litoral Norte de Santa Catarina.
Assim, enquanto Débora buscava uma marca inédita na ultramaratona, o evento também transformou parte do desafio em uma ação de solidariedade e apoio à causa animal.




