SC registra 9,2 mil mortes por suicídio em 11 anos

Levantamento mostra aumento dos registros e dificuldades no atendimento; Videira afirma ter reduzido fila para atendimento psicológico

Santa Catarina registrou 9.280 mortes por suicídio entre 2015 e 2025, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação. Em 2025, o Estado apresentou a terceira maior taxa do país, com 11,82 registros por 100 mil habitantes, atrás apenas do Rio Grande do Sul e do Piauí.

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Os números também mostram crescimento ao longo do período. Foram 642 mortes em 2015, contra 1.034 em 2025. Em 2024, foram registrados 1.005 óbitos e, em 2023, 986.

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Diante desse cenário, o Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC) realiza uma auditoria operacional na Secretaria de Estado da Saúde para avaliar a coordenação estadual da política de saúde mental e o apoio oferecido aos municípios.

“Além da Secretaria, já tivemos conversas também com alguns municípios. Um dos grandes problemas são as situações de diagnósticos leves a moderados, como ansiedade ou luto. Há um gargalo muito grande na entrada e acesso das pessoas aos serviços, por conta da falta de profissionais e porque municípios menores não estão dando conta dessa demanda”.

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Levantamento apontou fragilidades

A auditoria teve como base um levantamento realizado pelo TCE-SC em 2023 com os 295 municípios catarinenses. Na ocasião, 238 cidades, ou 80,68%, informaram não possuir protocolos específicos para prevenção e gerenciamento de situações de risco de suicídio.

Outro problema identificado foi a dificuldade de acesso aos serviços. Em 73,9% dos municípios, a atenção primária não conseguia atender toda a demanda de saúde mental sem filas. Além disso, 243 municípios relataram dificuldades para conseguir vagas de saúde mental ou psiquiatria em hospitais gerais.

A pesquisa também mostrou que apenas 84 municípios, ou 28,47%, possuíam programas específicos de saúde mental previstos em norma municipal.

Videira ampliou atendimento

Videira, no Meio-Oeste catarinense, estava entre os municípios que informaram, em 2023, não possuir protocolo para prevenção e gerenciamento do risco de suicídio. Na época, a cidade também relatou dificuldades para atender toda a demanda de saúde mental sem lista de espera.

Segundo a prefeitura, desde então foram adotadas medidas para ampliar a assistência. A administração afirma que a fila para atendimento psicológico, que já ultrapassou três anos, foi reduzida.

“Conseguimos reduzir significativamente o tempo de espera: atualmente, nos casos eletivos, a espera está em torno de nove meses, enquanto situações que demandam maior atenção têm avaliação e encaminhamento prioritário, com prazo aproximado de 15 dias, conforme a necessidade identificada”, afirmou a prefeitura.

O município também informou a contratação de novos profissionais para ampliar o atendimento psicológico nos programas de saúde mental e no CAPS. Entre as ações citadas está ainda o Programa Saúde do Trabalhador, criado no segundo semestre de 2025.

A cada 10 minutos, um adolescente no Brasil se machuca ou tenta o suicídio
Foto: Divulgação

Auditoria busca cenário atual

As informações levantadas pelo TCE-SC em 2023 não permitem afirmar como está atualmente a rede de saúde mental dos municípios, já que houve mudanças de gestão e de políticas públicas desde então.

“Esse dado é do final de 2023. Ou seja, hoje a gente teria provavelmente outra fotografia, poderia ser pior, melhor, ou igual”, afirma o auditor Renato Costa.

Por isso, o TCE-SC realiza desde o fim de 2025 uma auditoria operacional na Secretaria de Estado da Saúde. O trabalho busca avaliar principalmente a atuação do Estado na coordenação da política de saúde mental e no apoio aos municípios.

“Nós constatamos que era um problema estrutural. Então, precisamos olhar para melhorias no processo de coordenação estadual e de governança da saúde mental. O objetivo é conseguir, de certo modo, que a rede aprimore o apoio aos municípios, para melhor prestação de serviços à população.”

CAPS ainda são desafio

Um diagnóstico realizado em 2025 pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde, mostrou que 51,19% dos municípios catarinenses permanecem sem cobertura de CAPS.

O dado não significa necessariamente que essas cidades estejam sem atendimento em saúde mental, já que os serviços podem ser regionalizados. Outros 40,68% dos municípios possuem cobertura considerada completa.

Como buscar ajuda

O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, com atendimento 24 horas em todo o Brasil.

A população também pode procurar a rede pública de saúde, incluindo unidades básicas e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), para buscar acolhimento e atendimento em saúde mental.

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Fonte:
Portal RBV | Com informações ND Mais

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