Videirense percorre 120 quilômetros no Caminho de Santiago de Compostela
Clarice Deluchi realizou a peregrinação entre Sarria e Santiago de Compostela, na Espanha, em cinco dias. Sozinha, com uma mochila nas costas, ela encontrou histórias, superou o cansaço e descobriu o significado de viver um passo de cada vez
Existem viagens que começam com um destino definido, mas terminam deixando marcas que permanecem para a vida inteira. Para a videirense Clarice Deluchi, o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, foi exatamente assim. Ao longo de cinco dias, Clarice percorreu aproximadamente 120 quilômetros, no trecho entre Sarria e Santiago de Compostela. Com a mochila nas costas e a disposição para enfrentar os desafios do percurso, ela iniciou uma experiência que, segundo seu próprio relato, se transformou em uma jornada de fé, autoconhecimento e gratidão.
O Caminho de Santiago é uma peregrinação secular que reúne pessoas de diferentes partes do mundo em direção à cidade de Santiago de Compostela, onde, segundo a tradição cristã, estão os restos mortais do apóstolo São Tiago. Mais do que uma rota de caminhada, o percurso representa, para muitos peregrinos, uma oportunidade de reflexão, espiritualidade e encontro com outras histórias.
Sozinha na estrada, mas acompanhada por histórias do mundo inteiro
Clarice começou sua caminhada sozinha. No entanto, logo percebeu que a solidão inicial não significava estar verdadeiramente só. Durante o percurso, encontrou peregrinos de diversas nacionalidades, cada um carregando sua própria história e suas razões para estar naquele caminho.
“Fui sozinha, com minha mochila nas costas, e logo descobri que, apesar de começar sozinha, a gente nunca está realmente sozinho no Caminho.”
O relato revela uma das experiências mais marcantes da peregrinação: a possibilidade de compartilhar momentos, conversas e silêncios com pessoas que, embora vindas de lugares diferentes, estavam unidas pela mesma estrada. Em meio a passos, paisagens e encontros inesperados, Clarice descobriu que o Caminho também era construído pelas conexões humanas que surgiam ao longo da jornada.
Cinco dias de cansaço, dor e muita gratidão
Percorrer 120 quilômetros em cinco dias exigiu esforço físico e emocional. A videirense enfrentou dores no corpo, cansaço e momentos em que tudo o que desejava era chegar ao destino.
“Foram cinco dias de muito cansaço, dor no corpo, momentos de silêncio e também de muita gratidão. Teve hora em que eu só queria chegar.”
A sinceridade do relato mostra que a peregrinação não foi composta apenas por momentos de contemplação ou alegria. Houve dificuldades, limites físicos e a necessidade de continuar mesmo quando o corpo pedia descanso. Foi justamente diante desses desafios que Clarice encontrou uma maneira diferente de encarar o caminho.
Ao longo da caminhada, a videirense percebeu que pensar na distância total poderia tornar a jornada ainda mais difícil. Em vez de se concentrar nos 120 quilômetros que precisava percorrer, passou a direcionar sua atenção para cada pequena etapa. “Aos poucos, percebi que não adiantava ficar pensando nos 120 km. Eu precisava pensar no próximo passo, no próximo pueblo, no próximo albergue. E foi assim que fui caminhando.”
A reflexão traduz uma experiência que ultrapassa as fronteiras da peregrinação. Em vez de tentar alcançar imediatamente um objetivo distante, Clarice aprendeu a valorizar o presente, concentrando-se no que estava ao seu alcance naquele momento. Cada passo se tornou uma conquista. Cada trecho vencido representou a continuidade de uma jornada que exigia paciência, perseverança e confiança.
A fé como força para chegar mais longe
Foto: Reprodução
Ao chegar ao fim do percurso, em Santiago de Compostela, Clarice compreendeu que a experiência não poderia ser medida apenas pela distância percorrida ou pela chegada ao destino. A peregrinação deixou aprendizados que, para ela, permaneceram muito além dos cinco dias de caminhada.
“No fim, entendi que o Caminho não era só chegar a Santiago ou cumprir uma distância. Era viver cada passo.”
A frase resume o significado que a videirense atribuiu à experiência. O objetivo deixou de ser apenas completar o percurso e passou a incluir tudo aquilo que foi vivido durante a caminhada: os encontros, as dificuldades, os silêncios e os momentos de gratidão. Ao retornar para Videira, Clarice trouxe consigo o cansaço de uma longa jornada, mas também a sensação de ter vivido algo transformador.
“Voltei cansada, mas muito grata por tudo que vivi e, principalmente, por tudo que o Caminho me fez enxergar e me mostrar que a fé nos faz chegar longe.”
Uma história que inspira a continuar caminhando
A experiência de Clarice Deluchi no Caminho de Santiago de Compostela reforça o significado que uma jornada pode adquirir quando é vivida com presença e propósito. Entre os quilômetros percorridos, as dores enfrentadas e as pessoas encontradas pelo caminho, a videirense descobriu que algumas das maiores conquistas não estão apenas no lugar onde se chega, mas naquilo que se aprende durante o percurso.
Sua história é um convite à reflexão sobre a importância de respeitar o próprio ritmo, valorizar cada etapa e manter a fé mesmo diante das dificuldades. Porque, algumas vezes, chegar longe começa simplesmente com a coragem de dar o próximo passo.