O Rio do Peixe faz parte da rotina de milhares de moradores do Meio-Oeste de Santa Catarina. Presente na paisagem de diversas cidades, ele também se tornou o cenário de uma aventura que une esporte, amizade e consciência ambiental. Um grupo de caiaqueiros está percorrendo o curso do rio, registrando as paisagens, conhecendo diferentes localidades e compartilhando a experiência nas redes sociais.
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A iniciativa reúne Edenilson Padilha, Altemar Perettti, Jacson Poggere e Alexandre Peretti. Depois de iniciar a jornada na região entre Calmon e Caçador, o grupo chegou a Videira e pretende continuar a descida em direção a Marcelino Ramos, no Rio Grande do Sul.
A proposta surgiu durante uma pescaria, a partir de uma conversa entre os amigos. O que começou como uma ideia despretensiosa se transformou em um projeto que envolve planejamento, superação de obstáculos e a vontade de conhecer o rio de uma perspectiva diferente.
A ideia de percorrer o Rio do Peixe
Segundo os integrantes, a ideia surgiu há aproximadamente dois anos, durante um momento de lazer. Edenilson Padilha sugeriu ao amigo Altemar Peretti que eles tentassem percorrer todo o Rio do Peixe de caiaque. “E se nós fizéssemos uma descida do Rio do Peixe todo?”, relembrou Padilha ao contar como a aventura começou.
A proposta foi aceita pelo grupo, que decidiu conhecer também a região da nascente do rio, localizada em Calmon. Conforme os caiaqueiros, o ponto inicial não permite a navegação, por isso a descida começou em um trecho navegável entre Calmon e Caçador. A primeira etapa levou dois dias.
Para Altemar Peretti, conhecer a nascente foi uma experiência surpreendente. Ele relatou que a água surge em uma área de banhado, em meio à vegetação, e que a dimensão do local contrasta com a extensão do rio que atravessa a região. A partir dali, os amigos começaram a transformar a ideia em realidade. O percurso, no entanto, não é apenas uma atividade de lazer: exige atenção às condições da água, às corredeiras e aos obstáculos encontrados pelo caminho.
Amizade e superação marcam a aventura
Além do desafio de percorrer o rio, a união entre os integrantes é um dos aspectos mais importantes da experiência. Durante a entrevista à Rádio Videira, eles destacaram que a parceria é essencial para enfrentar as dificuldades e garantir que todos possam voltar para casa em segurança. Jackson Poggere contou que se sente feliz por fazer parte do grupo e destacou a ajuda mútua nos momentos mais difíceis.
“Quando um tem dificuldade, eles me ajudam”
Ele também definiu a descida como a maior aventura de sua vida até o momento. O contato diário com a natureza, a descoberta de novos lugares e as histórias vividas ao longo do trajeto são experiências que, segundo ele, ficarão na memória. Os caiaqueiros relatam que o percurso inclui tombos, impactos contra pedras e trechos de maior dificuldade. Em algumas situações, é necessário sair da água e transportar os caiaques por terra para continuar a viagem.
Apesar dos desafios, o grupo reforça que a prioridade não é competir ou concluir o trajeto a qualquer custo. A intenção é avançar com cautela e preservar a segurança de todos. “É uma ida que deu certo. Nós temos que voltar para casa, para nossas famílias, e estar prontos para a próxima”, destacou Padilha.
Pai e filho compartilham a experiência no rio
A aventura também aproxima gerações. Altemar contou com a participação do filho adolescente em algumas descidas, experiência que mistura orgulho, aprendizado e preocupação. Ele explicou que, mesmo com a experiência adquirida, a presença do filho exige atenção redobrada, especialmente nos trechos mais perigosos.
O pai também destacou a importância de incentivar os jovens a praticarem esportes e a passarem mais tempo em contato com a natureza, sempre acompanhados por um responsável e utilizando os equipamentos adequados. O colete salva-vidas é apontado pelo grupo como item essencial durante a navegação. A avaliação das condições do rio antes de cada saída também faz parte dos cuidados adotados pelos caiaqueiros.
Próximas etapas incluem Pinheiro Preto e outras cidades
Depois de chegar a Videira, o grupo continuou a jornada em direção a Pinheiro Preto neste último fim de semana. Os integrantes consideram esse trecho relativamente mais tranquilo, mas ressaltam que qualquer percurso em um rio exige atenção. Mais adiante, a navegação deverá apresentar novos desafios, especialmente na região de Tangará e no caminho em direção a Ibicaré, onde existem barragens que exigem a retirada dos caiaques da água e o transporte por terra antes de retomar a descida.
O objetivo final é chegar a Marcelino Ramos, no Rio Grande do Sul. Durante o percurso, os caiaqueiros pretendem registrar paisagens, empresas, barragens e diferentes localidades ligadas ao Rio do Peixe. A intenção é mostrar não apenas a aventura, mas também a história e as características da região. Para Padilha, os registros já representam uma memória que ficará marcada para o grupo.
“Eu já vejo isso como um filme na nossa cabeça”
Os integrantes também contaram que têm recebido manifestações de moradores que acompanham os vídeos e reconhecem o grupo quando ele passa pelas cidades. Esse retorno tem servido como incentivo para continuar a jornada.
Caiaqueiros denunciam poluição e defendem preservação do Rio do Peixe
O contato direto com o rio também revelou uma preocupação dos aventureiros: a quantidade de lixo e os sinais de poluição encontrados em alguns trechos. Os integrantes afirmaram que procuram mostrar nas redes sociais principalmente as paisagens e os aspectos positivos do rio, mas reconhecem que a realidade observada durante a navegação nem sempre é a mesma que aparece nos vídeos.
Padilha lamentou a falta de cuidado com a natureza e defendeu uma mudança de atitude por parte da população. A experiência, segundo o grupo, reforça a importância de preservar o Rio do Peixe, que faz parte da vida de diversas comunidades e desempenha um papel importante na história e na paisagem regional.



