Imagens impressionantes que mostram o céu completamente vermelho na Austrália viralizaram nas redes sociais nos últimos dias e chamaram a atenção de internautas em todo o mundo. Apesar da aparência incomum, o fenômeno não tem relação com filtros ou inteligência artificial. O cenário foi registrado após a passagem do ciclone tropical Narelle, que atingiu áreas da Austrália Ocidental, especialmente a região de Shark Bay, na última sexta-feira (27).
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Com a força dos ventos, o ciclone levantou grandes quantidades de poeira do solo e espalhou partículas pela atmosfera, formando uma espécie de névoa avermelhada.
Como resultado, não apenas o céu, mas também o mar, as construções e toda a paisagem passaram a refletir tons intensos de vermelho e laranja, criando um visual incomum e, ao mesmo tempo, fascinante.
Solo rico em ferro e clima favorecem coloração intensa
A explicação para o fenômeno está diretamente ligada às características geológicas e climáticas da Austrália. Grande parte do solo do país possui alta concentração de ferro, que ao longo de milhões de anos passa por um processo de oxidação — semelhante à ferrugem.
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Esse processo é favorecido pelas condições quentes e secas predominantes em várias regiões do território australiano.
“A Austrália possui um ambiente perfeito, quente e seco, para uma forma específica de intemperismo químico chamada oxidação. Isso ocorre em rochas com alto teor de ferro. Nesse tipo de ambiente, essas rochas começam a enferrujar. À medida que a ferrugem se expande, enfraquece a rocha e contribui para sua fragmentação. Os óxidos produzidos por esse processo conferem ao solo sua tonalidade avermelhada”, publicou Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês).
Poeira em suspensão altera a forma como vemos a luz
Além da composição do solo, a física da luz também desempenha papel fundamental no fenômeno. Quando os ventos intensos do ciclone levantam a poeira rica em óxidos de ferro, essas partículas permanecem suspensas no ar e interferem na forma como a luz solar se dispersa.
Nesse contexto, os comprimentos de onda mais longos, como os tons de vermelho e laranja, tornam-se predominantes, enquanto as cores azuladas se dissipam com mais facilidade. Esse efeito cria o aspecto dramático e incomum do céu avermelhado.
Outro fator importante é a antiguidade dos solos australianos. Diferentemente de outras regiões do planeta, o continente não passou por glaciações recentes que renovassem sua superfície. Isso permitiu o acúmulo contínuo de óxidos de ferro ao longo de milhões de anos, intensificando ainda mais a coloração do solo.
Dessa forma, o fenômeno que chamou atenção nas redes sociais é, na verdade, resultado da combinação entre clima extremo, composição geológica e princípios físicos, mostrando como a natureza pode criar cenários surpreendentes e visualmente impactantes.

