Projeções divulgadas por instituições internacionais indicam que 2026 deve figurar entre os anos mais quentes já registrados desde o início das medições climáticas modernas. A estimativa foi apresentada no fim de dezembro pelo Met Office, o serviço meteorológico oficial do Reino Unido, com base em análises recentes sobre a evolução da temperatura média global.
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De acordo com o levantamento, a temperatura média do planeta em 2026 deverá ficar cerca de 1,46 °C acima dos níveis pré-industriais, considerando o período entre 1850 e 1900.
As projeções variam entre 1,34 °C e 1,58 °C, o que, embora fique ligeiramente abaixo do recorde histórico de 1,55 °C registrado em 2024, ainda posiciona 2026 “provavelmente entre os quatro anos mais quentes já observados”, segundo o próprio Met Office.
Além disso, os dados reforçam uma tendência clara de aquecimento acelerado nas últimas décadas. A série histórica, que começa em meados do século XIX, evidencia que os últimos anos concentram os maiores aumentos já medidos.
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O chefe da equipe de previsões globais do Met Office, Adam Scaife, destacou que “nos últimos três anos, provavelmente ultrapassamos 1,4 °C, e esperamos que 2026 seja o quarto ano consecutivo em que isso acontece”, um cenário considerado inédito até recentemente.
Pressão crescente sobre metas climáticas
As projeções também ampliam o alerta da comunidade científica sobre o papel das atividades humanas no avanço do aquecimento global.
Segundo a Organização das Nações Unidas, as principais causas das mudanças climáticas são as emissões de gases de efeito estufa, especialmente o dióxido de carbono e o metano, resultantes da queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gasolina.
O meteorologista-chefe do Met Office, Nick Dunstone, ressaltou que 2024 marcou a primeira ultrapassagem temporária do limite de 1,5 °C e que os cenários projetados para 2026 indicam a possibilidade de repetição desse patamar.
“Isso demonstra a rapidez com que estamos nos aproximando da meta de 1,5 °C do Acordo de Paris”, afirmou.
Firmado em 2015 durante a COP21, o Acordo de Paris estabelece o compromisso de limitar o aquecimento global a bem abaixo de 2 °C, com esforços para manter o aumento em até 1,5 °C.
Atualmente, o tratado conta com 194 países signatários e prevê revisões periódicas das metas nacionais de redução de emissões.
Relatórios recentes da Organização Meteorológica Mundial apontam que o aquecimento global já se encontra em torno de 1,37 °C acima da média pré-industrial.
Para os especialistas, cada décimo adicional de grau intensifica eventos extremos, como ondas de calor, secas e tempestades, além de reduzir as margens de adaptação, tornando ainda mais urgente o fortalecimento das ações climáticas globais.

