A primavera começou oficialmente e, com ela, aumenta a atenção para as condições meteorológicas em Santa Catarina. Em entrevista ao RBV Entrevista, o meteorologista Leandro Puchalski explicou o cenário provocado pelo El Niño e destacou que o fenômeno deve contribuir para uma primavera com volumes de chuva acima do normal, além de favorecer a ocorrência de temporais e episódios de chuva volumosa no Sul do Brasil.
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Segundo Puchalski, o El Niño já atingiu uma intensidade considerada muito forte e ainda não chegou ao pico. A previsão apresentada pelo meteorologista indica que a maior intensidade deve ocorrer entre outubro e novembro, antes de o fenômeno começar gradualmente a perder força.
El Niño potencializa os sistemas meteorológicos
O meteorologista explicou que o El Niño não provoca diretamente a chuva em Santa Catarina. O que ocorre é uma intensificação dos sistemas meteorológicos que normalmente atuam na região e são responsáveis pela ocorrência de chuva.
“Ele intensifica os sistemas meteorológicos que são nossos aqui e que são os que provocam chuva em Santa Catarina”
Na prática, isso significa que períodos que normalmente já apresentam maior quantidade de chuva podem registrar volumes ainda mais elevados. O efeito também alcança outras áreas do Sul do Brasil e países vizinhos, como Paraná, Rio Grande do Sul, Uruguai, Paraguai e parte da Argentina.
A chegada da primavera também contribui para aumentar a atenção com relação aos temporais. De acordo com Puchalski, a estação representa uma transição entre o frio do inverno e o calor do verão, favorecendo o encontro entre massas de ar frio e quente. Esse encontro pode provocar mudanças bruscas de temperatura e favorecer a formação de temporais. Com a presença do El Niño, esses sistemas podem ser potencializados.
O cenário ganha importância porque, segundo o meteorologista, eventos extremos já foram registrados durante o inverno, período que normalmente não é o mais propício para determinados fenômenos. Com a entrada da primavera, considerada uma estação mais favorável à ocorrência de temporais, a atenção precisa ser redobrada.
Previsão indica primavera mais chuvosa
Para os meses de outubro, novembro e dezembro, a expectativa apresentada por Puchalski é de chuvas acima do normal para a primavera. O meteorologista ressaltou, no entanto, que a previsão está relacionada principalmente aos volumes acumulados de chuva e não significa que todo o território catarinense terá chuva intensa ao mesmo tempo. A distribuição dos eventos varia conforme a região e o período.
Em relação às temperaturas, a tendência é de valores dentro das características da estação, podendo ocorrer períodos um pouco mais quentes. Também estão previstos episódios de massa de ar frio, embora com menor frequência ao longo da primavera.
A previsão apresentada durante a entrevista aponta que o El Niño deve atingir seu ápice entre outubro e novembro. Depois disso, a tendência é de redução gradual da intensidade.
Puchalski comparou o comportamento do fenômeno à subida e descida de uma montanha: o El Niño ainda estaria em processo de chegada ao pico e, depois, começaria a perder intensidade gradualmente. A influência pode continuar durante o verão e avançar até o início do outono do próximo ano. O meteorologista, porém, reforçou que previsões climáticas possuem limitações e precisam ser constantemente atualizadas conforme novos dados são observados.
Chuvas intensas podem provocar novos episódios de enchentes
Durante a entrevista, Puchalski também chamou atenção para a possibilidade de novos episódios de chuva volumosa e temporais ao longo dos próximos meses. Segundo ele, a ocorrência de eventos de chuva intensa é esperada, mas não é possível determinar com grande antecedência exatamente onde e quando esses episódios vão acontecer. Essa definição depende das previsões meteorológicas de curto e médio prazo.
O especialista explicou que existe uma diferença importante entre previsão do tempo e previsão climática. Enquanto as projeções climáticas conseguem indicar tendências para períodos mais longos, a previsão meteorológica de curto prazo é necessária para identificar as regiões que poderão ser atingidas por eventos específicos.
Por isso, a recomendação é que a população acompanhe as atualizações meteorológicas ao longo dos próximos meses e esteja atenta aos alertas emitidos pelos órgãos oficiais.
Meteorologista alerta para importância de fontes confiáveis
Outro ponto destacado por Leandro Puchalski foi a necessidade de buscar informações meteorológicas em fontes especializadas. Com a velocidade de circulação das informações nas redes sociais, conteúdos sobre fenômenos climáticos podem ganhar grande repercussão, inclusive quando publicados por pessoas sem formação na área. Para o meteorologista, a população deve priorizar profissionais e instituições que trabalham diretamente com meteorologia.
A orientação também é evitar o alarmismo. A existência de um cenário favorável à ocorrência de eventos extremos não significa que todas as regiões serão atingidas da mesma maneira ou no mesmo período.
Um exemplo citado durante a entrevista foi o episódio de chuvas ocorrido por volta dos dias 20 e 21 de setembro. Enquanto algumas regiões de Santa Catarina registraram volumes elevados e problemas associados à chuva, outras áreas do estado não enfrentaram os mesmos impactos.
Informação deve servir para preparar a população
Ao final da entrevista, Puchalski reforçou que a informação meteorológica deve ser utilizada como uma ferramenta de preparação, e não de medo. Segundo o meteorologista, acompanhar as previsões permite que a população adote medidas antecipadas e esteja preparada caso um evento adverso atinja determinada região.
“As pessoas bem informadas são pessoas que tomam boas decisões.”
A orientação para os próximos meses é acompanhar as previsões meteorológicas, os alertas dos órgãos oficiais e as atualizações de curto e médio prazo, especialmente durante períodos de maior instabilidade.




