A Polícia Civil de Santa Catarina reforçou um alerta à população sobre o crescimento das situações envolvendo violência contra a mulher. O tema foi destacado pela psicóloga policial Claudiana Cruz da Silva, que atua na Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI) de Videira e trabalha há cerca de dez anos no atendimento direto a vítimas, em entrevista à equipe do Portal RBV.
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De acordo com a profissional, o primeiro contato com as vítimas ocorre no momento de acolhimento na delegacia especializada, onde mulheres, crianças e idosos recebem orientação e apoio após episódios de violência ou ameaça.
Durante esse atendimento inicial, muitas histórias revelam a gravidade da violência que ocorre dentro de casa e que, muitas vezes, permanece invisível para a sociedade.
A psicóloga destaca que os dados divulgados em relatórios nacionais ajudam a dimensionar o problema, mas não mostram toda a dimensão do sofrimento enfrentado pelas vítimas.
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Como ressalta Claudiana:
“Os números eles parecem distantes da gente. Nós vamos falar sobre esses números, mas eu acho que é importante a população entender que além de números são histórias, são vidas, são crianças que ficam órfã desse feminicídio.”
Dados nacionais e realidade local preocupam
Informações do Anuário de Segurança Pública indicam que, em média, quatro mulheres são mortas por dia no Brasil em crimes relacionados à violência de gênero.
Além disso, cerca de 196 mulheres e meninas são vítimas de estupro diariamente no país.
A situação também preocupa em Videira
Conforme dados levantados pelas autoridades locais, nos últimos quatro anos foram registrados mais de cinco casos de feminicídio no município. Somente no último ano houve um feminicídio confirmado e uma tentativa.
Neste último caso, a vítima conseguiu escapar e pedir ajuda na rua, o que impediu que o crime tivesse um desfecho ainda mais grave. Mesmo assim, a ocorrência foi considerada extremamente séria pelas forças de segurança.
Violência pode começar de forma silenciosa
Segundo especialistas, a violência contra a mulher raramente começa com agressões físicas. Muitas vezes, os primeiros sinais aparecem em atitudes como controle excessivo, ciúmes exagerados, humilhações e violência psicológica.
Quando a vítima decide procurar uma delegacia especializada, geralmente a situação já envolve ameaças ou episódios de agressão. Ainda assim, muitos casos deixam de ser denunciados, o que gera um alto índice de subnotificação.
Novo protocolo de atendimento será implantado
Para fortalecer o atendimento às vítimas, o município de Videira passará a contar, a partir do dia 12 de março, com um protocolo oficial de acolhimento para mulheres em situação de violência.
O documento foi elaborado com a participação de diversos setores da cidade, incluindo saúde, assistência social e segurança pública.
A proposta é garantir que todas as mulheres recebam apoio e orientação adequados, independentemente de registrarem ou não um boletim de ocorrência naquele momento.
Conforme explica a psicóloga, o principal objetivo é assegurar que nenhuma vítima fique sem atendimento e saiba que existe uma rede de apoio disponível.
Procure ajuda
Como reforça Claudiana:
“Você não tá sozinha, nós estamos com você, mas nós precisamos que vocês nos busquem, que vocês nos contem a tua história para que a gente possa mostrar caminhos. Para que a vida seja mais leve, mais feliz.”
As autoridades orientam que vítimas ou pessoas que presenciem situações de violência procurem ajuda o quanto antes, para evitar que casos de agressão evoluam para situações ainda mais graves.
