Uma descoberta inusitada preservada por décadas voltou a chamar a atenção no Oeste de Santa Catarina. Uma carta escondida dentro de um confessionário por mais de 40 anos revelou os pensamentos, preocupações e reflexões de um carpinteiro que participou da construção do móvel religioso em 1965.
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O confessionário está exposto no Museu da Colonização José Felício Jung, em Palma Sola, município com cerca de 7,6 mil habitantes. A história ganhou destaque novamente porque a peça será devolvida à igreja matriz de Anchieta, cidade para a qual foi originalmente produzida.
Descoberta aconteceu durante desmontagem do móvel
A carta foi encontrada em 2007, quando o confessionário foi emprestado pela igreja de Anchieta ao museu de Palma Sola. Durante o processo de desmontagem da estrutura, os responsáveis localizaram um pequeno baú escondido próximo ao local onde os fiéis costumavam se ajoelhar para realizar confissões.
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Segundo o historiador responsável pelo museu, a mensagem permaneceu preservada por mais de quatro décadas sem que ninguém soubesse de sua existência.
O documento foi ditado pelo carpinteiro João Feix e escrito por sua filha, Alice Feix Paetzold. Atualmente com 81 anos, ela ajudou a registrar as palavras do pai, que na época tinha 60 anos.
Entre os trechos que mais chamam a atenção está o desabafo do trabalhador: “Já sou tão velho, com 60 anos, e ainda tenho que fazer confessionários”.

Relato registra detalhes históricos da época
Além de expressar sentimentos pessoais, a carta também funciona como um registro histórico. No texto, João Feix menciona autoridades que ocupavam cargos importantes naquele período, como o presidente da República, Castelo Branco, o governador catarinense Celso Ramos e o prefeito de Palma Sola, Libório Kuhn.
Outro aspecto curioso é a referência aos valores do dólar e da libra esterlina em comparação à moeda brasileira da época, oferecendo um retrato econômico do país em meados da década de 1960.
Esses detalhes transformaram o documento em uma importante fonte histórica para pesquisadores e visitantes do museu.

Mensagem termina com votos de felicidade
Ao final da carta, o carpinteiro deixou uma mensagem de esperança para as futuras gerações que encontrassem o documento.
“Muita felicidade para todos. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo”.
O relato simples e sincero atravessou mais de seis décadas e se tornou um dos itens mais curiosos do acervo histórico da região, preservando a memória de um trabalhador que decidiu deixar sua marca escondida dentro de uma peça religiosa.
Com a devolução do confessionário para Anchieta, a história da carta ganha um novo capítulo, mantendo viva uma lembrança que permaneceu oculta por décadas.




