Um relatório inédito divulgado nesta semana pela Rede EJA e Inclusão Produtiva revela que o Brasil ainda enfrenta um grande desafio na área da educação. Atualmente, cerca de 64 milhões de pessoas com 15 anos ou mais deixaram a escola antes de concluir a educação básica, formando um amplo contingente com potencial para ingressar na Educação de Jovens e Adultos (EJA).
PARTICIPE DO NOSSO GRUPO NO WHATSAPP E RECEBA NOTÍCIAS
O estudo, intitulado “População de 15+ fora da escola, demanda potencial por EJA e transições para o trabalho: diagnóstico e evidências para políticas públicas”, foi elaborado por uma coalizão formada por 16 organizações da sociedade civil. O objetivo é mapear a demanda pela EJA e subsidiar políticas públicas voltadas à inclusão educacional e produtiva.
Redução da demanda não ocorreu por maior acesso à educação
Embora o levantamento mostre uma redução gradual no número de pessoas sem escolaridade completa, os pesquisadores destacam que essa queda não representa, necessariamente, um avanço das políticas educacionais.
Veja também
Projeto aprovado no Senado quer acabar com ligações abusivas de telemarketing e cobrança
Escolas de Videira destacam benefícios da restrição aos celulares
Segundo o relatório, mais da metade da redução observada desde 2021 está relacionada ao falecimento de pessoas que nunca concluíram os estudos. Os dados indicam que, para cada estudante que finalizou a educação básica por meio da EJA no período analisado, mais de seis pessoas morreram sem concluir essa etapa escolar.

Para Bárbara Frasseto, Head de Inovação Pedagógica da Fundação Bradesco, uma das instituições participantes da pesquisa, ampliar apenas a oferta de vagas não resolve o problema.
“Não basta abrir vagas: busca ativa, currículo conectado à vida adulta, professores preparados, apoio à permanência e vínculo visível com trabalho e renda fazem toda a diferença.”
Norte e Nordeste concentram maior número de pessoas sem escolaridade
O diagnóstico aponta diferenças importantes entre as regiões brasileiras. Os estados do Norte e do Nordeste concentram os maiores índices de pessoas que não concluíram a educação básica. Em diversas localidades, mais da metade da população acima de 15 anos está nessa condição.
Os reflexos aparecem diretamente no mercado de trabalho. Entre aqueles que não terminaram o ensino fundamental, apenas 43,1% participam da força de trabalho. Já entre quem concluiu o ensino médio, esse percentual sobe para 73,5%.

Além das dificuldades de inserção profissional, o relatório estima que a economia brasileira deixa de movimentar cerca de R$ 66 bilhões por ano em rendimentos do trabalho devido à baixa escolaridade. O valor representa aproximadamente 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB).
Indicadores mostram redução da evasão escolar
Apesar do cenário preocupante, indicadores recentes apontam avanços na permanência dos estudantes na escola.
Dados do Censo Escolar de 2025 mostram que a taxa de abandono no ensino médio das escolas públicas caiu para 2,5%, o menor índice registrado desde 2007.
Segundo o Ministério da Educação, a redução foi de 34% após a implementação do programa Pé-de-Meia, criado em 2024 para incentivar a permanência dos estudantes por meio do pagamento de bolsas.

O Anuário Estatístico da Educação Básica também aponta melhora nos indicadores. Em 2024, 92,1% dos jovens entre 15 e 17 anos estavam matriculados em alguma instituição de ensino. No entanto, apenas 82,2% frequentavam a etapa adequada à idade, o ensino médio.
Outro dado positivo foi a redução da distorção idade-série. O percentual de estudantes com dois ou mais anos de atraso escolar caiu de 24,3% para 17,6% entre 2022 e 2025.
Especialistas, entretanto, ressaltam que ainda há um longo caminho para garantir que milhões de brasileiros retomem os estudos e concluam a educação básica.




