O ex-procurador-geral de Justiça do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), caçadorense João Carlos Kurtz, 81 anos, faleceu na madrugada desta quarta-feira (11), em sua residência, em Florianópolis. A Procuradora-Geral de Justiça, Vanessa Wendhausen Cavallazzi, decretou luto de três dias.
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Primeiro procurador-geral de Justiça eleito do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), esteve 12 anos à frente da Instituição, foi responsável pela inauguração da sede própria do MPSC e considerado um dos mais influentes Procuradores-Gerais de Justiça, com forte atuação na consolidação da autonomia institucional e na modernização do MP catarinense.
A trajetória de João Carlos Kurtz começa no interior de Santa Catarina, em Caçador, onde nasceu em 17 de fevereiro de 1944 e cresceu em meio à vida política local e à observação atenta da realidade social. Integrante de uma família de gaúchos que migrou para a região para instalar uma indústria madeireira, formou-se em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre. Retornou em seguida à cidade natal para auxiliar nos negócios da família. Com a desestruturação da empresa de seu pai e o fechamento de seu escritório de advocacia, decidiu ingressar no Ministério Público.
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Em 13 de maio de 1972, foi aprovado e empossado como Promotor de Justiça pelo então Procurador-Geral José Daura. Iniciou a carreira em Palmitos, atuando também na região de Maravilha e São Lourenço do Oeste. Ainda em 1972, foi promovido para Anita Garibaldi e depois exerceu funções em Guaramirim. Em 1975, foi convocado para atuar junto à Procuradoria-Geral do Estado, sendo promovido para a Comarca de São José e, posteriormente, para a Comarca de Chapecó.
Em 1979, aos 35 anos, foi nomeado pelo governador Jorge Konder Bornhausen para o cargo de Procurador-Geral do Estado, que então acumulava a chefia do Ministério Público e a representação judicial do Estado e da Fazenda Pública.
O livro e uma história caçadorense
De acordo com o jornalista Frutuoso Oliveira, Carlinhos, ou Talinhos para os amigos mais chegados, tem uma história muito rica no Ministério Público de Santa Catarina e sua relação com Caçador.
Filho do industrial Zeca Kurtz (prefeito de Caçador por três vezes) é irmão do também já falecido Zezo Kurtz, um dos fundadores do antiga Empasc, atual Epagri.
João Carlos Kurtz lançou recentemente um livro chamado Trajetória e Legado, editado pelo MPSC, onde conta sua história como promotor, iniciada na cidade de Tangará.
No livro, ele relata que assim que assumiu o comando do MPSC, enviou dois promotores para Caçador porque a cidade estava muito violenta, no início da década de 1980.
Em um parágrafo do livro ele conta a seguinte história, referindo-se a Caçador e a escolha dos promotores Guido Feuser e Valberto Domingues:
“Eu visitei o Guido em Taió e disse: “Preciso que você vá para Caçador, porque nós temos que fazer uma limpa naquilo lá”. Narrei a ele os fatos, e o Guido disse: “Eu vou lá, eu vou testar”. Ele foi para lá e teve uma atitude muito incisiva na comarca. Ele e o outro promotor começaram a lançar campanhas de desarmamento, botaram a polícia para funcionar, revistaram todos os carros, foram tomando armas. Até o carro do prefeito foi revistado – não sei se o prefeito estava junto. Eles começaram a bater firme, coisa com a qual a cidade de Caçador não estava acostumada”.
Ele conta ainda que uma comitiva de Caçador foi pedir a transferência do promotor, ele negou:
“Em primeiro lugar, o promotor de lá é um dos melhores promotores que nós temos, se não for o melhor. Ele foi escolhido por mim, porque Caçador estava precisando de um promotor desse porte. Porque eu conheço Caçador muito bem. Eu não vou tirá-lo de lá”, conta no livro.
Para quem quiser ler o livro, aqui está o link:
https://www.mpsc.mp.br/documents/d/guest/diagramacao_livro-pgj_dr-kurtz_quadrado_v6

