Bebê sofre queimaduras e atendimento gera impasse entre Prefeitura e hospital

Prefeitura questiona interrupção da assistência em Capinzal, enquanto Hospital Nossa Senhora das Dores afirma ter estabilizado a criança e acionado a regulação

Um bebê de 1 ano e 9 meses, morador de Zortéa, no Meio-Oeste de Santa Catarina, sofreu queimaduras provocadas por água quente na noite do último domingo, dia 13. A criança apresentou queimaduras térmicas de primeiro e segundo graus na face e no tórax, atingindo aproximadamente 15% da superfície corporal.

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Após receber os primeiros cuidados no município, o bebê foi encaminhado ao Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD), em Capinzal. Conforme informações divulgadas pela Prefeitura de Zortéa, o relatório médico também apontou áreas esbranquiçadas ou pálidas, indicando a necessidade de avaliação especializada.

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Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, após os primeiros procedimentos realizados no hospital, a continuidade do atendimento teria sido interrompida sob a alegação de que não havia convênio vigente entre o município e a instituição.

A secretária de Saúde de Zortéa, Cássia Regina Romani, contestou essa informação. Em entrevista à Rádio Capinzal, afirmou que o convênio entre o município e o Hospital Nossa Senhora das Dores estaria vigente até dezembro.

Diante do impasse, a Secretaria de Saúde de Zortéa buscou atendimento no Hospital Dr. José Athanázio, em Campos Novos. Conforme o município, a unidade recebeu a criança e providenciou a internação. Ainda segundo informações divulgadas pela Secretaria de Saúde à Rádio Capinzal, havia previsão de transferência do bebê para uma UTI enquanto era aguardada uma vaga em um hospital de referência especializado no atendimento de pacientes com queimaduras.

Hospital apresenta outra versão sobre o atendimento

Na quarta-feira, dia 16, o Hospital Nossa Senhora das Dores divulgou uma nota oficial em resposta às declarações de autoridades de Zortéa. A instituição classificou as alegações como “inverídicas e descontextualizadas” e afirmou que todas as medidas médicas, éticas e técnicas foram adotadas para preservar a integridade física da criança.

Segundo o HNSD, o bebê recebeu assistência imediata assim que chegou ao pronto atendimento. A equipe de plantão teria realizado avaliação clínica, higienização, curativos adequados, administração de medicação analgésica e aplicação de pomadas específicas, resultando na estabilização do quadro.

Após afastar o risco imediato, conforme o hospital, o médico plantonista acionou o sistema de regulação para o Hospital Universitário Santa Terezinha (HUST), em Joaçaba. A orientação recebida teria sido pela necessidade de avaliação de um especialista pediátrico e busca de vaga em um centro especializado no atendimento de pacientes queimados.

O HNSD nega que tenha recusado atendimento à criança.

Divergência envolve atendimento pediátrico e transferência

Na manifestação, o hospital também explicou sua versão sobre a ausência de internação pediátrica regular. Segundo a instituição, desde janeiro de 2025, o município de Zortéa teria cancelado unilateralmente os serviços de sobreaviso em Pediatria e Obstetrícia mantidos com o HNSD, passando a direcionar seus munícipes ao HUST, em Joaçaba.

O hospital afirma que, ao identificar a necessidade de um médico pediatra para acompanhar a internação e o transporte da criança, entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde de Zortéa para solicitar autorização para acionar o especialista, com os honorários pagos pelo município.

Conforme o relato do HNSD, a secretária de Saúde teria recusado a contratação do profissional e decidido pela transferência do bebê para o Hospital Dr. José Athanázio, em Campos Novos.

O hospital afirma ainda que impediu a saída da ambulância sem a presença de uma profissional de enfermagem. Segundo a instituição, o município pretendia embarcar a técnica de enfermagem somente quando o veículo passasse por Zortéa. O HNSD sustenta que o transporte sem acompanhamento profissional violaria normas de segurança e resoluções do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).

Prefeitura pede esclarecimentos e hospital cita alerta de 2025

Após o episódio, a Prefeitura de Zortéa formalizou um pedido de esclarecimentos ao Hospital Nossa Senhora das Dores sobre o atendimento prestado à criança e as circunstâncias que teriam levado à interrupção da assistência.

Segundo o município, a administração questiona os motivos administrativos relacionados ao atendimento e a alegação de ausência de convênio. A Prefeitura também solicitou informações sobre os protocolos adotados pelo hospital para pacientes do SUS provenientes de Zortéa.

A administração municipal pediu ainda medidas para evitar que questões administrativas ou contratuais provoquem atrasos em situações de urgência e emergência. Para fundamentar o pedido, citou princípios previstos na legislação do Sistema Único de Saúde e no Código de Ética Médica.

O município informou que o setor jurídico deverá encaminhar o caso ao Ministério Público para apuração.

Já o Hospital Nossa Senhora das Dores afirma que a falta de cobertura pediátrica contratada para moradores de Zortéa havia sido comunicada formalmente à Prefeitura e ao Fundo Municipal de Saúde em março de 2025. Segundo o HNSD, uma notificação protocolada na época alertava para possíveis riscos assistenciais decorrentes da ausência de convênio.

Ao final da nota, o hospital reafirmou seu compromisso com a verdade e informou que deverá prestar esclarecimentos e encaminhar documentos aos órgãos de fiscalização e controle competentes.

Até a publicação desta matéria, as duas partes apresentavam versões distintas sobre o impasse envolvendo o atendimento e a transferência da criança. O Hospital Nossa Senhora das Dores, inicialmente procurado pela imprensa local, havia informado que não se manifestaria naquele momento porque o caso seria analisado pelo departamento jurídico. Posteriormente, porém, divulgou a nota oficial com seus esclarecimentos.

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Fonte:
Portal RBV | Com informações Oeste Mais/Éder Luiz

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