O Dia Mundial de Combate ao Câncer, lembrado em 4 de fevereiro, foi tema de uma entrevista especial na programação da RBB Rádios com o médico clínico especialista em oncologia, doutor Marcelo Seron. A data foi instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com um objetivo claro: ampliar a conscientização da população sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento da doença.
PARTICIPE DO NOSSO GRUPO NO WHATSAPP E RECEBA NOTÍCIAS
Durante a conversa, o especialista destacou que falar sobre câncer de forma aberta e acessível salva vidas. Segundo ele, a informação correta permite que mais pessoas busquem ajuda médica em estágios iniciais da doença, quando as chances de cura são significativamente maiores. Além disso, campanhas de conscientização ajudam a reduzir o medo e o estigma que ainda cercam o diagnóstico.
O câncer, conforme explicou o médico, é uma doença que se origina a partir de uma única célula do organismo que perde o controle do seu crescimento. Esse crescimento desordenado forma um tumor, que pode se espalhar para outras partes do corpo se não for tratado precocemente. Por isso, reforçar a importância de uma data específica no calendário é fundamental para manter o tema em evidência ao longo do ano.
Veja também
Hospital Maice ultrapassa 500 cirurgias cardíacas
Hospital Divino Salvador reforma quartos através do Projeto Adote um Quarto
Apesar de muitas pessoas tratarem o câncer como uma única doença, o doutor Marcelo Seron esclareceu que existem mais de 100 tipos diferentes. Cada um apresenta características próprias, formas de tratamento distintas e diferentes taxas de cura. Comparar um câncer de pele não melanoma, com alta curabilidade, a um câncer de pâncreas, por exemplo, é inadequado, pois são doenças completamente diferentes.
Dados Brasil
No Brasil, os números chamam a atenção. Dados recentes do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano. Excluindo os tumores de pele menos agressivos, ainda são aproximadamente meio milhão de novos diagnósticos anuais. Entre as mulheres, o câncer de mama lidera as estatísticas, com cerca de 78 mil novos casos por ano. Entre os homens, o câncer de próstata aparece com números semelhantes.
Na sequência, destacam-se os tumores de cólon e reto, pulmão, estômago e colo do útero. Esses dados reforçam a necessidade de políticas públicas de prevenção e do acesso facilitado a exames de rastreamento em todo o país.
Fatores para aparição da doença
O aumento global dos casos também foi abordado na entrevista. Segundo o oncologista, houve um crescimento de 77% nos novos diagnósticos nos últimos anos. Entre os principais fatores estão o envelhecimento da população, a poluição ambiental, o sedentarismo, a obesidade e a alimentação rica em produtos ultraprocessados.
Além disso, o tabagismo e o consumo de álcool continuam sendo grandes vilões. O médico alertou que não existe dose segura de álcool do ponto de vista oncológico. Por outro lado, hábitos simples podem reduzir significativamente os riscos, como manter atividade física regular, controlar o peso corporal, consumir frutas e verduras e evitar a exposição excessiva ao sol.
No campo da prevenção, o diagnóstico precoce segue como uma das estratégias mais eficazes. Exames como mamografia, preventivo ginecológico, avaliação da próstata e colonoscopia, a partir das idades recomendadas, são fundamentais. Outro destaque importante é a vacinação contra o HPV, disponível no SUS, capaz de prevenir o câncer de colo do útero e outras neoplasias associadas ao vírus.
Tratamentos
Sobre os tratamentos, o Marcelo Seron ressaltou os avanços significativos da medicina. Cirurgia, quimioterapia e radioterapia continuam sendo pilares fundamentais, mas novas terapias vêm revolucionando o cuidado oncológico. A imunoterapia, por exemplo, utiliza o próprio sistema imunológico do paciente para combater as células cancerígenas e já apresenta resultados expressivos em diversos tipos de tumor.
Dados internacionais indicam que cerca de 70% das pessoas diagnosticadas com câncer hoje conseguem ficar livres da doença após cinco anos, desde que tenham acesso ao tratamento adequado. Além disso, terapias-alvo, hormonioterapia e tratamentos celulares, como o CAR-T Cell, ampliam as perspectivas para casos mais complexos.
Ao encerrar a entrevista, o médico deixou uma mensagem de esperança. Ele reforçou a importância do apoio familiar, da atividade física durante o tratamento, sempre que possível, e do diálogo constante entre paciente e equipe médica. Segundo ele, informação de qualidade e acompanhamento especializado fazem toda a diferença na jornada contra o câncer.
O médico Marcelo Seron atende no Santé Cancer Center, com sede em Lages, e também no Complexo Seiko em Caçador, em parceria com a Unimed.



