Uma planta bastante comum nos quintais de Joaçaba e região, tradicionalmente indicada pelas avós para “limpar os rins”, agora passa a integrar oficialmente a política pública de saúde no país. A Fiocruz anunciou o desenvolvimento do primeiro fitoterápico industrializado à base de quebra-pedra que será ofertado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
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A iniciativa representa um avanço importante ao transformar o conhecimento popular em medicamento padronizado, produzido dentro de critérios farmacêuticos rigorosos. Com isso, o paciente deixa de depender das variações naturais da planta e passa a contar com doses controladas e seguras.
Diferença entre o chá caseiro e o medicamento industrializado
O termo “quebra-pedra” é popularmente utilizado para diversas espécies, mas o foco científico recai principalmente sobre o gênero Phyllanthus, com destaque para a Phyllanthus niruri. Pesquisas conduzidas pela Embrapa apontam que a composição química da planta pode sofrer alterações significativas conforme o tipo de solo, condições climáticas e métodos de cultivo.
Essa variação explica por que o chá preparado em casa pode apresentar resultados diferentes entre as pessoas. A concentração de substâncias ativas nem sempre é a mesma. Já no fitoterápico desenvolvido pela Fiocruz, há padronização industrial: a espécie é corretamente identificada, a matéria-prima passa por controle de qualidade e cada dose contém quantidade precisa de princípios ativos.
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Como a quebra-pedra atua no organismo
O principal campo de atuação da planta é o sistema urinário. Entre os efeitos mais estudados, destacam-se:
- Ação diurética: estimula o aumento do fluxo urinário, contribuindo para a eliminação de resíduos.
- Redução de cristais: auxilia na diminuição de pequenos cristais que podem evoluir para cálculos renais.
- Potencial anti-inflamatório: pesquisas investigam a presença de flavonoides com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.
Especialistas, no entanto, reforçam que o uso da planta não representa cura garantida para todos os quadros de cálculo renal. O tamanho e a composição da pedra são determinantes para a definição do tratamento, que pode incluir medicamentos convencionais ou até procedimentos cirúrgicos.
Integração entre tradição e ciência
A incorporação da quebra-pedra ao SUS reforça o papel das plantas medicinais como aliadas da saúde pública, desde que associadas a evidências científicas, controle de qualidade e acompanhamento profissional. Com a versão industrializada, reduzem-se as incertezas do uso doméstico e amplia-se o acesso seguro ao tratamento para milhares de brasileiros.
A medida simboliza a união entre tradição popular e ciência moderna, fortalecendo políticas públicas voltadas à fitoterapia no país.

