O mês de janeiro é tradicionalmente marcado por recomeços, reflexões e novos planos. É justamente com esse simbolismo que surge a campanha Janeiro Branco, movimento que chama a atenção para a importância dos cuidados com a saúde mental. O psicólogo Clayton Zanella fala sobre o tema e ressalta que, embora o primeiro mês do ano seja um convite à reflexão, o cuidado emocional deve ser constante durante todo o ano.
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No início de 2026, período em que algumas pessoas ainda estão de férias enquanto outras já retomaram suas rotinas, Clayton destaca que janeiro pode ser comparado a “um livro, um caderno em branco”, pronto para ser escrito ao longo do ano.
Segundo o psicólogo, a discussão sobre saúde mental acontece diariamente, mas o Janeiro Branco surgiu como um marco simbólico. O movimento foi criado em 2014, na cidade de Uberlândia, em Minas Gerais, pelo psicólogo Leonardo Abraão. A proposta era utilizar o primeiro mês do ano para estimular reflexões sobre a saúde mental e o planejamento de ações que contribuam para uma melhor qualidade de vida, relações interpessoais mais saudáveis e a busca pela felicidade, que ele define como um dos principais objetivos do ser humano.
Clayton também lembrou que, em 2023, foi instituída uma lei federal que oficializou o Janeiro Branco em âmbito nacional. Em Caçador, a iniciativa ganhou força ainda antes, com a criação de uma lei municipal em 2022, que prevê ações específicas no mês de janeiro voltadas à prevenção de transtornos mentais.
Ao falar sobre como manter a saúde mental no dia a dia, em meio à correria da vida moderna, o psicólogo destacou a importância de compreender o conceito de saúde de forma ampla. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), saúde é o completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças. Isso envolve atividade física regular, sono de qualidade, alimentação equilibrada, relações familiares saudáveis, um ambiente de trabalho com menos fatores estressores e uma vida social satisfatória.
Dentro desse contexto, a saúde mental ganha ainda mais relevância, especialmente diante do aumento dos casos de ansiedade e depressão, que podem desencadear outros transtornos. Clayton Zanella enfatizou que, mesmo com estabilidade financeira ou uma vida social ativa, a ausência de equilíbrio emocional compromete diretamente a qualidade de vida. Por isso, janeiro funciona como um alerta para que as pessoas planejem o ano, organizem prioridades e busquem manter o equilíbrio emocional.
No município, há uma ampla rede de atenção à saúde mental. Caçador conta com serviços como os CAPS, além do suporte oferecido pela Secretaria de Saúde, Secretaria de Educação e pelos serviços de assistência social. Clayton orienta que, ao perceber sinais de sofrimento emocional, a pessoa procure inicialmente a unidade básica de saúde, onde poderá passar por avaliação e receber encaminhamento para atendimento psicológico, psiquiátrico ou outros serviços especializados. Ele reforça ainda a importância das redes de apoio, como grupos comunitários e o apoio familiar, que podem tanto ajudar quanto, em alguns casos, ser fatores de estresse.
Para finalizar, o psicólogo explicou que nem sempre os sinais de sofrimento mental são facilmente perceptíveis para quem está ao redor. Cada pessoa carrega suas próprias dores, pensamentos e vivências. No entanto, alguns comportamentos podem indicar que algo não vai bem, como isolamento social, perda de motivação, dificuldade para realizar atividades diárias, falta de interesse pelo convívio familiar, ausência de projetos de vida e a sensação de que a vida perdeu o sentido.
Clayton ressalta que, quando a desmotivação se torna constante e os pensamentos deixam de ser otimistas, é fundamental procurar ajuda profissional. Reconhecer esses sinais e buscar apoio é um passo essencial para preservar a saúde mental e garantir mais qualidade de vida ao longo do ano.




