Um caso recente tem chamado a atenção para os avanços da medicina regenerativa em Santa Catarina. O jovem Cauan de Lima, de 20 anos, morador de Três Barras, voltou a apresentar movimentos nos pés poucos dias após receber a aplicação de polilaminina, substância considerada promissora no tratamento de lesões medulares. O procedimento foi realizado há cerca de uma semana no Hospital Dom Joaquim, em Sombrio, unidade administrada pelo Instituto Maria Schmitt (Imas).
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Desde o mês de março, esta foi a quarta aplicação da substância realizada na unidade hospitalar.
No mesmo dia, outro paciente também passou pelo procedimento: Kauan Lori Toledo de Aguiar, de 24 anos, morador de Imbituba. Ambos sofreram acidentes de motocicleta e agora seguem em processo de reabilitação intensiva.
Acidente causou lesão medular completa
O caso de Cauan teve início na véspera de Natal de 2025, quando ele sofreu um grave acidente no bairro Vila Nova, em Três Barras. O jovem foi encontrado às margens da via, consciente, porém desorientado. Equipes de resgate realizaram a imobilização e o encaminhamento ao hospital.
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Durante o atendimento, foram identificadas escoriações, suspeita de fratura no joelho e indícios de lesão na coluna. Posteriormente, exames confirmaram uma lesão medular completa, que resultou na perda dos movimentos das pernas.
Busca por alternativa levou à terapia experimental
Após cirurgia de estabilização no Hospital São Vicente, em Mafra, a família iniciou uma busca por alternativas de tratamento. A fisioterapeuta Veridiane Nayzer, que acompanha o jovem, relatou o esforço para viabilizar o acesso à terapia.
“Meados de janeiro foi que a família me procurou, então buscamos entender melhor o estudo, mas era para somente pacientes com 72 horas da lesão. O Cauan já estava há um mês com a lesão”.
Mesmo fora dos critérios iniciais, a busca continuou.

“Então entrei em contato com uma equipe do Rio de Janeiro e descobrimos que precisaria de uma recomendação médica. Foi quando descobrimos o primeiro implante registrado em Sombrio”.
A partir disso, o contato com o especialista responsável foi feito.
“Fomos atrás do médico responsável (Angelo Formentin), mandei mensagem no Instagram dele e falei sobre o caso do Cauan. O médico pediu a documentação. Mandei, ele deu andamento ao processo e aconteceu”.
Poucos dias após a aplicação, surgiram os primeiros sinais de resposta. “É de arrepiar”, relatou a fisioterapeuta ao descrever o momento em que o jovem conseguiu movimentar os pés.
Tratamento ainda é experimental no Brasil
A polilaminina é uma substância produzida em laboratório a partir da proteína laminina e aplicada diretamente na medula espinhal. O objetivo é estimular a regeneração das conexões nervosas afetadas por lesões.

Apesar dos resultados considerados animadores, o tratamento ainda está em fase experimental e depende da validação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso mais amplo no país. Ainda assim, casos como o de Cauan reforçam a expectativa de novas possibilidades terapêuticas para pacientes com lesões graves.
Outro exemplo é o da jovem Eduarda Atkinson, que também passou pelo procedimento e relatou avanços. Nove dias após a aplicação, ela conseguiu movimentar uma das pernas, compartilhando o momento nas redes sociais e emocionando seguidores.




