Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2026 revelam que, no Dia Mundial da Obesidade, celebrado hoje (04), aproximadamente 20,7% das crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos vivem com sobrepeso ou obesidade. Isso significa que, globalmente, um em cada cinco jovens — cerca de 419 milhões de pessoas — já enfrenta esse problema.
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A Federação Mundial de Obesidade alerta que, se a tendência atual se mantiver, até 2040 esse número poderá alcançar 507 milhões de crianças e adolescentes com sobrepeso ou obesidade.
Em comunicado, a entidade enfatizou que o sobrepeso e a obesidade na infância resultam em complicações de saúde similares às observadas em adultos, incluindo hipertensão e doenças cardiovasculares.
Segundo projeções, até 2040, 57,6 milhões de crianças poderão apresentar sinais precoces de doença cardiovascular, enquanto 43,2 milhões poderão ter hipertensão.
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“O atlas mostra como as ações para enfrentar a obesidade infantil permanecem inadequadas em todo o mundo, com muitos países aquém do conjunto de políticas necessárias para prevenção, monitoramento, rastreamento e manejo”, destacou a federação, reforçando a urgência de medidas eficazes.
Entre as estratégias recomendadas, a entidade sugere a
- implementação de impostos sobre bebidas açucaradas,
- restrição do marketing infantil, inclusive em plataformas digitais,
- promoção da atividade física,
- proteção do aleitamento materno,
- padrões alimentares mais saudáveis nas escolas e integração da prevenção e cuidado nos sistemas de atenção primária.
Situação no Brasil
No Brasil, os dados mostram que 6,6 milhões de crianças de 5 a 9 anos apresentam sobrepeso ou obesidade. Quando se incluem adolescentes de 10 a 19 anos, o número chega a 16,5 milhões.
Em 2025, quase 1,4 milhão dessas crianças foram diagnosticadas com hipertensão atribuída ao IMC, 572 mil com hiperglicemia, 1,8 milhão com triglicerídeos elevados e 4 milhões com doença hepática esteatótica metabólica. Até 2040, essas projeções aumentam significativamente.
Entendimento dos Especialistas
Para Bruno Halpern, vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), o atlas evidencia um “crescimento assustador” da obesidade infantil, especialmente em países de média e baixa renda.
“A alimentação à base de alimentos pouco ricos nutricionalmente, ultraprocessados e baratos vem crescendo exponencialmente. Isso afeta mais crianças de classes socioeconômicas mais baixas dentro desses países.”
“O Brasil não é exceção. Há dois anos, a gente já sabia que, em dez anos, metade das crianças e adolescentes no Brasil teria sobrepeso ou obesidade. Os dados estão se confirmando. Os índices estão crescendo, são alarmantes”, completou. Halpern lembra que a obesidade é um problema coletivo: “Temos 8 bilhões de razões para agir – a população do mundo”.
Ele acrescenta: “Temos que sair da ideia de que a obesidade é um problema individual e entender que, hoje, é também um problema socioeconômico. Se metade das crianças vai ter obesidade ou sobrepeso em alguns anos, não é problema dos outros, é problema de todos nós. Se não for o seu filho, vai ser o filho da sua irmã ou alguém muito próximo vivendo com isso”.
“Precisamos ter estratégias de taxação de ultraprocessados e refrigerantes, a gente precisa diminuir a propaganda infantil. A gente precisa trabalhar também a obesidade materna, que é um ponto que o atlas focou bem. Se a gente tratar a obesidade nas mães, pode ser uma forma de prevenir a obesidade dessas crianças no futuro”, concluiu.

