Santa Catarina registrou 368 casos de violência contra médicos em 2024, ocupando a quinta posição entre os estados brasileiros com maior número de ocorrências, segundo dados recentes do Conselho Regional de Medicina (CRM-SC). Na média nacional, um médico é vítima de agressão a cada duas horas, evidenciando a gravidade do problema no país.
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Dra. Andréa Antunes Caldeira, presidente do CRM-SC, explica que esses episódios refletem problemas estruturais no sistema de saúde.
“Observamos que é um reflexo do sucateamento que temos da saúde, do aumento na demanda, principalmente nas UPAs e nas emergências, e geralmente por falta de comunicação e do pleito dos pacientes”, afirma.
A especialista detalha ainda os motivos que frequentemente geram conflitos entre pacientes e médicos:
“Às vezes o médico não concorda em dar um atestado, paciente quer uma receita controlada, quer um laudo que o médico não pode fornecer e esses desentendimentos é que trazem isso. Além da demora do atendimento e da falta do acesso, isso traz uma insegurança para o paciente e também para médico. O paciente acaba descontando no médico e no profissional de saúde que está atendendo uma deficiência que é da administração, que é da gestão e não necessariamente do atendimento que está sendo prestado.”
Para enfrentar a questão, uma resolução do Conselho Federal de Medicina entrou em vigor este ano, reforçando que todo profissional tem direito a atuar em ambiente seguro.
A norma determina que gestores e diretores técnicos devem garantir a integridade física e mental dos médicos, implementando medidas como controle de acesso às unidades de saúde, videomonitoramento, protocolos de resposta a situações de violência e suporte ao profissional vítima de agressão.

