Uma em cada cinco gestantes não completa pré-natal no Brasil

Na Região Norte, apenas 63,3% das gestantes completam o pré-natal, enquanto no Sul o índice chega a 85%.

Embora a maioria das gestantes no Brasil consiga iniciar o pré-natal, um levantamento nacional aponta um cenário preocupante: uma em cada cinco mulheres não realiza o mínimo de sete consultas recomendadas pelo Ministério da Saúde desde 2024 para um acompanhamento considerado seguro da gestação. Na prática, isso significa que o país ainda enfrenta dificuldades em garantir a continuidade do cuidado materno.

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Os dados mostram uma queda significativa na cobertura ao longo do acompanhamento. Enquanto 99,4% das gestantes realizam ao menos uma consulta, esse percentual recua para 78,1% quando se observa a conclusão das sete consultas obrigatórias.

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Essa redução atinge de forma mais intensa grupos em situação de vulnerabilidade social, como mulheres sem escolaridade, adolescentes, indígenas e residentes da Região Norte.

Desigualdades sociais e regionais marcam o acesso ao pré-natal

O estudo, conduzido pelo Centro Internacional de Equidade em Saúde da Universidade Federal de Pelotas (ICEH/UFPel) em parceria com a Umane, analisou mais de 2,5 milhões de nascimentos registrados no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) do Ministério da Saúde em 2023.

Os pesquisadores destacam que o sistema de saúde brasileiro consegue alcançar praticamente todas as gestantes no início do pré-natal. No entanto, falha ao manter o acompanhamento até o fim da gestação, especialmente entre populações mais vulneráveis.

Segundo a pesquisadora Luiza Eunice Sá da Silva, do ICEH/UFPel, “O Brasil praticamente universalizou o acesso ao início do pré-natal, mas ainda não consegue garantir que esse cuidado se mantenha até o final da gestação, deixando para trás populações já vulneráveis”.

Escolaridade, raça e idade ampliam desigualdades

A escolaridade aparece como um dos principais determinantes da continuidade do pré-natal. Entre mulheres com 12 anos ou mais de estudo, 86,5% completam as sete consultas. Já entre mulheres sem escolaridade, o índice cai para 44,2%, evidenciando um abismo social significativo.

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Foto: Divulgação

No recorte racial, as desigualdades também são expressivas. Enquanto 84,3% das mulheres brancas concluem o pré-natal completo, apenas 51,5% das indígenas atingem o mesmo resultado. Entre pretas e pardas, os índices ficam em 75,7% e 75,3%, respectivamente.

A Região Norte apresenta o menor desempenho do país, com 63,3% de cobertura completa, enquanto o Sul lidera com 85%. Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste apresentam percentuais intermediários.

Entre adolescentes menores de 20 anos, apenas 67,7% realizam as sete consultas, contra 82,6% entre mulheres acima de 35 anos, reforçando a vulnerabilidade das gestantes mais jovens.

Especialistas alertam para riscos e defendem equidade

O epidemiologista Cesar Victora destaca que o pré-natal adequado é essencial para prevenir complicações. Ele afirma:

“Sete consultas não são um número arbitrário, mas o mínimo necessário para acompanhar o ritmo acelerado da vida intrauterina. Sem esse monitoramento regular, perdemos a oportunidade de tratar precocemente condições como infecções, hipertensão e diabetes gestacional”.

Já a gerente da Umane, Evelyn Santos, ressalta a importância do papel da sociedade civil no enfrentamento das desigualdades e no fortalecimento das políticas públicas.

Os pesquisadores alertam que a interrupção do acompanhamento aumenta riscos como parto prematuro, baixo peso ao nascer e complicações maternas.

Por isso, defendem medidas como busca ativa de gestantes, ampliação do atendimento a populações indígenas e fortalecimento da atenção primária, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

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Fonte:
Portal RBV | Com informações CNN Brasil

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