O Parque Central de Caçador viveu um domingo (29) de profunda emoção e quebra de paradigmas. A 4ª edição do Parque Azul, evento promovido pela Associação de Pais Pró-Autistas em parceria com diversas entidades, não apenas cumpriu sua missão, como superou todas as metas da organização. O evento atraiu famílias atípicas e a comunidade em geral, vindas de cidades como Videira, Lages, Canoinhas, Lebon Régis e Rio das Antas.
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Com o tema voltado à cultura campeira, o cenário foi tomado por cavalos, bois e ônibus que trouxeram comitivas de gaúchos para apoiar a causa. Fábio Garcia, um dos organizadores, relatou o alívio e a alegria ao ver o espaço lotado: “Estávamos desde o começo ansiosos para saber se a comunidade ia ser participativa e, assim, faltou lugar. Realmente nos enche de orgulho e dá a sensação do dever cumprido”.

Esporte e superação no Laço Inclusivo
Um dos momentos mais marcantes da tarde foi o Laço Inclusivo, atividade que permitiu a pessoas com deficiências intelectuais e físicas, incluindo cadeirantes, a experiência de praticar a modalidade. O público acompanhou comovido as demonstrações de atletas PCDs e autistas que já competem oficialmente.

“A gente às vezes desacredita dessas pessoas. Você olha alguém preso numa cadeira de rodas e pensa que não vai fazer nada, e ele está lá laçando, se divertindo e, acima de tudo, feliz”, destacou Fábio. Além do laço, a interação com animais foi reforçada por Jair Souza, que coordenou o contato de mais de 500 crianças com pôneis e cavalos. Para ele, essa integração proporciona uma experiência ímpar para quem não tem o convívio diário com o mundo animal.

Inovação premiada: o projeto Ludic Game
O evento também abriu espaço para a tecnologia assistiva com a presença do SESI | SENAI de Canoinhas. Os professores Manassés Moreira dos Santos e Roberto Marques de França Junior apresentaram o Ludic Game, um brinquedo lúdico magnético desenvolvido para pessoas com dificuldades na coordenação motora.

O projeto, que utiliza peças similares ao Lego com ímãs internos impressos em 3D, nasceu do desafio “Integra” (antigo DSPI) para solucionar demandas industriais. A ideia surgiu após observarem um aluno com dificuldades reais de montagem. O resultado foi um sucesso absoluto:
- Nível Estadual: 1º lugar entre mais de mil equipes.
- Nível Nacional: 2º lugar em uma competição com 23 mil estudantes de todo o Brasil.
A verba para o desenvolvimento do protótipo focou em ejeção plástica e tecnologia 3D, validando o uso do brinquedo em fisioterapias e atividades para idosos. A equipe de estudantes — Sabrina, Tainara, Samuel e Luiz Mateus — provou que a juventude da região Centro-Norte possui um espírito inovador que merece ser valorizado em grandes palcos como o Parque Azul Caçador.





