O filme catarinense “Um Dia Extraordinário”, dirigido pela caçadorense Cíntia Domit Bittar, estreia em rede nacional nesta segunda-feira (23) na Tela Quente, da TV Globo, logo após o Big Brother Brasil, tendo como protagonista a atriz também caçadorense Alana Bortolini.
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Após a exibição em TV aberta para todo o país, o longa ficará disponível inicialmente por uma semana no Globoplay e também será destaque no “Cine BBB”, dentro da casa do reality.
Produzido pela Novelo Filmes em coprodução com a Globo Filmes e a NSC TV, o telefilme integra o projeto “Telefilmes Regionais”, iniciativa que selecionou e desenvolveu histórias locais em sete estados e no Distrito Federal. As obras têm até 50 minutos de duração e, no ano passado, alcançaram cerca de 45 milhões de espectadores.
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Na trama, a rotina da jovem agricultora Moira (Alana Bortolini) é transformada pela aparição de um agroglifo — figura geométrica desenhada na plantação — em sua pequena fazenda. Ela vive com Ivete, sua mãe octogenária, fascinada pelo universo extraterrestre. O fenômeno desperta a curiosidade da vizinhança e provoca o reencontro com os irmãos Cecília e Maurício, obrigando a família a enfrentar a distância construída ao longo dos anos e o envelhecimento da matriarca.
O enredo se passa em um único dia, no qual Moira precisa lidar simultaneamente com o mistério e com as tensões familiares. A narrativa transita entre drama familiar, comédia, cotidiano rural, mistério e ficção científica.
O interesse pelo fenômeno não é recente. Segundo Cíntia, a ideia surgiu em 2015, quando esteve na região para registrar agroglifos em um documentário. “Eu sempre pensei em aproveitar esse tema no universo da ficção. De ter esse sinal como um disparador da trama. E finalmente surgiu a oportunidade”, revela.
Elenco catarinense e identidade regional
Cíntia, que também assina o roteiro ao lado de Maria Augusta V. Nunes, já dirigiu produções como “Virtuosas” (2025), vencedor do Prêmio Netflix da 49ª MostraSP, e “Baile”, qualificado ao Oscar 2021. Em “Um Dia Extraordinário”, ela conduz um elenco catarinense que reúne a veterana Margarida Baird, radicada em Santa Catarina desde os anos 1980; Paula Braun; a caçadorense Alana Bortolini; além de Valdir Grillo, Emilly Vicente, Andres Prestes e Sarah Motta, com participação de elenco local das cidades onde ocorreram as filmagens.
As gravações aconteceram principalmente em Abelardo Luz, no Oeste catarinense, além de Florianópolis e Bom Retiro. O filme foi financiado por meio da Lei do Audiovisual/ANCINE.
A proposta foi retratar Santa Catarina de forma autêntica, sem caricaturas, preservando sotaques, gírias e referências culturais. “É uma responsabilidade muito grande apresentar sotaques pouco escutados na cinematografia brasileira. E dá um orgulho também”, comenta Cíntia, que cresceu em Caçador.
A equipe investiu na memória afetiva catarinense, refletida no figurino, nas comidas da cena de jantar e em objetos pessoais, muitos deles vindos da casa do pai da diretora. O filme percorre paisagens do Oeste, da Serra e do Litoral, reforçando o movimento comum entre famílias que se espalham pelo Estado, mas mantêm os laços.
Personagens e reflexão sobre o tempo
Moira, interpretada por Alana Bortolini, é uma mulher forte que escolheu permanecer no campo para cuidar da mãe, enfrentando a perda gradual de memória da matriarca. Ivete, vivida por Margarida Baird, é independente e apaixonada pelo céu e por extraterrestres — obsessão que dialoga diretamente com o agroglifo. “Ela não gosta de estar esquecida. É uma senhora que gosta de viver”, define a atriz.
Já Cecília, personagem de Paula Braun, é a filha que saiu da cidade e encontra dificuldade em retornar, tanto pela rotina quanto pelo impacto de ver a mãe envelhecer. “A gente acaba sendo atropelado pela vida e vai esquecendo esses momentos extraordinários que a gente passa com as pessoas que fazem parte da história e que a gente ama”, reflete.
Entre mistério e afeto, “Um Dia Extraordinário” propõe uma reflexão sobre tempo, memória e laços familiares, tendo um agroglifo como ponto de partida para revelar sentimentos universais a partir de uma história profundamente catarinense.

