O meio ambiente deve ocupar um espaço cada vez mais relevante no cenário político brasileiro em 2026. A avaliação é do professor de Relações Internacionais e especialista em geopolítica ambiental, Víctor Nascimento, durante participação no programa RBV Entrevista, com o jornalista Ernesto Júnior, na Rádio Videira. Segundo ele, as mudanças climáticas deixaram de ser um tema distante e passaram a influenciar diretamente a vida das pessoas, tornando-se uma pauta estratégica para governos e candidatos.
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De acordo com o especialista, o Brasil chega ao segundo semestre do ano em meio a um cenário marcado por eleições, conflitos internacionais, desafios econômicos e uma crescente preocupação com os eventos climáticos extremos, como ondas de calor, enchentes e tempestades severas.
Para Nascimento, a discussão ambiental evoluiu muito nas últimas décadas e hoje ultrapassa a esfera da preservação da natureza, tornando-se uma questão econômica, social e política. “O debate ambiental vai muito além da conservação. Hoje ele interfere diretamente no cotidiano das pessoas e precisa fazer parte dos projetos de governo”, destacou.
Segundo ele, o contexto eleitoral de 2026 deve impulsionar ainda mais essa discussão, já que a população começa a cobrar propostas concretas relacionadas à adaptação climática, infraestrutura resiliente e transição energética. O especialista lembra que os dados científicos divulgados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) apontam para o agravamento da crise climática global. Ondas de calor recordes na Europa e chuvas intensas registradas em diversas regiões do Brasil são exemplos dos impactos já sentidos pela população.
Ele ressalta que o país enfrenta cada vez mais episódios de eventos climáticos extremos, que afetam desde a infraestrutura urbana até a agricultura, exigindo planejamento e investimentos em prevenção.
“Hoje já não falamos apenas em mudança climática, mas em uma verdadeira crise climática, que exige respostas rápidas da sociedade e dos governos”
Durante a entrevista, Vítor também fez um balanço da realização da COP 30, sediada pelo Brasil em 2025. Para ele, apesar dos desafios relacionados à infraestrutura e das discussões sobre os resultados práticos do encontro, o evento consolidou o protagonismo brasileiro nas negociações internacionais sobre o clima.
O especialista destacou que o Brasil possui uma trajetória histórica de participação nas discussões ambientais, reforçada pela inclusão do artigo 225 na Constituição Federal de 1988, que garante o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Segundo ele, o principal desafio continua sendo conciliar desenvolvimento econômico, redução das desigualdades sociais e preservação ambiental.
Sociedade está mais atenta aos impactos do clima
Outro ponto destacado pelo professor é a mudança na percepção da população sobre os efeitos das alterações climáticas. Se antes fenômenos como o derretimento das calotas polares pareciam distantes da realidade brasileira, hoje enchentes, secas prolongadas e tempestades severas aproximaram o tema do cotidiano das pessoas.
Na avaliação do especialista, esse cenário deve estimular uma participação maior da sociedade civil, de organizações não governamentais e dos próprios eleitores na cobrança por políticas públicas voltadas à proteção ambiental.
“Assim como saúde, segurança pública e economia, o meio ambiente passou a ser uma pauta que afeta diretamente a qualidade de vida dos cidadãos”
Segundo semestre deve intensificar debates ambientais
Para Vítor Nascimento, embora seja impossível fazer previsões exatas sobre o comportamento do clima ou da política, a tendência é que o segundo semestre de 2026 seja marcado por discussões mais profundas sobre sustentabilidade, adaptação às mudanças climáticas e prevenção de desastres naturais.
Ele acredita que candidatos e lideranças políticas precisarão apresentar propostas concretas para enfrentar os desafios ambientais, diante de uma população cada vez mais consciente dos impactos da crise climática.

