A preservação das florestas, a proteção da fauna silvestre e o papel fundamental das abelhas para a manutenção da vida foram os principais temas abordados na mais recente edição do podcast do RBVerde, projeto desenvolvido pela RBV Rádios durante a Semana do Meio Ambiente. O programa reuniu especialistas que atuam diretamente na conservação ambiental e destacou ações que vêm transformando a relação entre sociedade, empresas e natureza no Meio-Oeste de Santa Catarina.
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O primeiro convidado do episódio foi Anderson Copini, representante da ONG Gato do Mato, organização fundada em 2001 e que atua em projetos de educação ambiental, monitoramento da fauna e preservação das florestas. Segundo ele, o trabalho começou nas escolas, mas ao longo dos anos se expandiu para empresas privadas, especialmente do setor florestal.
“Nosso objetivo é mostrar para a sociedade e para as empresas que existem animais silvestres circulando na região e que a preservação das florestas é fundamental para garantir a sobrevivência dessas espécies”
A ONG realiza estudos ambientais em áreas de manejo florestal, utilizando armadilhas fotográficas, identificação de pegadas, vestígios, vocalizações e análises laboratoriais para mapear a presença de animais silvestres. O trabalho serve de base para processos de certificação ambiental das empresas, demonstrando que a exploração econômica pode caminhar ao lado da conservação.
De acordo com Copini, o aumento do compromisso ambiental das empresas já apresenta resultados concretos. Animais que há anos não eram registrados voltaram a aparecer em áreas monitoradas, evidenciando a recuperação dos ecossistemas. No entanto, ele alerta que a caça ilegal ainda representa uma das maiores ameaças à biodiversidade regional.
“Em muitos levantamentos conseguimos registrar não apenas os animais, mas também caçadores armados e cães de caça. Muitas vezes o argumento é a caça ao javali, mas encontramos evidências de que outras espécies acabam sendo abatidas ilegalmente”
Além das pesquisas de campo, a ONG Gato do Mato desenvolve atividades de educação ambiental em escolas, palestras em empresas e exposições abertas à comunidade, apresentando moldes de pegadas de animais, vídeos e materiais educativos produzidos a partir das imagens captadas nas florestas.
Abelhas são responsáveis pela produção de alimentos e pela manutenção dos ecossistemas
O segundo entrevistado do podcast foi o biólogo Edson Fernando Spier, coordenador do Núcleo de Apicultores e Meliponicultores da região de Ouro e Capinzal, que falou sobre a importância das abelhas para a preservação ambiental e para a agricultura. Segundo ele, os polinizadores são responsáveis por grande parte da produção mundial de alimentos.
“Para cada quilo de mel produzido, estima-se que as abelhas contribuam direta ou indiretamente para a produção de cerca de 70 quilos de alimentos”
O especialista explicou a diferença entre a apicultura, voltada às abelhas com ferrão, e a meliponicultura, que trabalha com as espécies nativas sem ferrão. Estas últimas têm conquistado espaço em jardins e residências, despertando o interesse da população pela conservação ambiental.
Santa Catarina, inclusive, deu um importante passo para incentivar essa prática com a promulgação da Lei nº 19.732/2026, que reconhece a meliponicultura como atividade de utilidade pública, fortalecendo a preservação das espécies nativas e sua contribuição para a biodiversidade.
Abelhas sem ferrão ajudam a despertar a consciência ambiental
De acordo com Edson, criar abelhas sem ferrão em casa vai muito além da produção de mel. A atividade aproxima as pessoas da natureza e estimula hábitos sustentáveis, como o plantio de árvores, flores e espécies nativas que servem de alimento para os polinizadores.
“O simples fato de ter uma colmeia no jardim desperta a curiosidade das pessoas, especialmente das crianças, sobre a importância das plantas, da água e da preservação do meio ambiente”, ressaltou. O biólogo também destacou que as abelhas desempenham um papel estratégico na agricultura, aumentando a produtividade de culturas como soja, maçã e morango, sem a necessidade de expansão das áreas de cultivo.




