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Conhecida pelo “mugido de boi”, rã invasora ameaça fauna nativa em Santa Catarina

Conhecida pelo “mugido de boi”, rã invasora ameaça fauna nativa em Santa Catarina

Foto: Felipe Szterling, PMF

Uma espécie exótica conhecida pelo tamanho avantajado e pela capacidade de adaptação passou a preocupar órgãos ambientais em Florianópolis. A rã-touro (Aquarana catesbeiana), originária da América do Norte, está sendo monitorada após ter sua presença confirmada na Capital catarinense.

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O anfíbio recebeu esse nome devido ao som grave emitido pelos machos, semelhante ao mugido de um boi. Introduzida no Brasil em 1935 para criação em ranários e comercialização de carne, a espécie se espalhou por diversas regiões do país e hoje é considerada uma das mais preocupantes invasoras da fauna brasileira.

O primeiro registro oficial em Florianópolis ocorreu em outubro de 2025, no bairro Ratones. Desde então, equipes técnicas iniciaram ações para avaliar a extensão da presença da espécie e os possíveis impactos ambientais.

Grande predadora e altamente adaptável

Segundo especialistas do Laboratório de Ecologia de Anfíbios e Répteis da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a rã-touro possui características que favorecem sua expansão em novos ambientes.

Com dieta bastante diversificada, o animal se alimenta de peixes, anfíbios, répteis e até pequenos mamíferos. Além disso, apresenta elevada capacidade reprodutiva, fator que aumenta o risco de desequilíbrio ecológico.

O porte avantajado da espécie também contribui para sua competitividade. De acordo com pesquisadores, seu tamanho facilita a ocupação de nichos ecológicos e a disputa por recursos com espécies nativas, colocando em risco populações locais de anfíbios.

Outro ponto de preocupação é a possibilidade de transmissão de doenças que afetam animais silvestres. A espécie pode atuar como vetor de agentes patogênicos capazes de impactar anfíbios, peixes e répteis da fauna regional.

Por esse motivo, a rã-touro integra a lista oficial de espécies exóticas invasoras de Santa Catarina, enquadrada na chamada Categoria 1, destinada aos organismos considerados de maior risco ambiental.

Capturas já foram realizadas em Ratones

Após a confirmação da ocorrência, equipes técnicas realizaram duas operações de campo para monitoramento e controle da população encontrada.

Na primeira ação, em novembro de 2025, foram capturados dez exemplares, sendo sete adultos e três juvenis. Já em março deste ano, uma nova captura foi realizada na região.

Até o momento, a presença da rã-touro foi confirmada em três propriedades do bairro Ratones. Relatos de moradores indicam, entretanto, que a espécie pode estar presente na área há mais tempo, reforçando a necessidade de ampliar o mapeamento.

Os animais recolhidos foram encaminhados ao Laboratório de Herpetologia da UFSC, onde passam por análises sanitárias. Entre os exames realizados estão testes para ranavírus e quitridiomicose, enfermidades que podem afetar severamente populações de anfíbios.

Estratégia busca impedir avanço da espécie

O monitoramento é conduzido por diferentes instituições ambientais e segue uma estratégia de detecção precoce e resposta rápida.

Segundo o presidente da Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis (Floram), Fábio Henrique Machado, a identificação inicial da espécie permite uma atuação mais eficiente.

“O trabalho que estamos conduzindo em Ratones segue uma estratégia de detecção precoce e resposta rápida. Quando uma espécie exótica é identificada logo no início, é possível compreender melhor a situação, mapear sua ocorrência e tomar decisões fundamentadas, em parceria com as demais instituições e com a comunidade”, explica.

A expectativa é que o acompanhamento contínuo permita definir medidas adequadas para evitar a expansão da espécie e reduzir os impactos sobre a biodiversidade local.

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