Uma pescaria que começou com a intenção de capturar jundiás se transformou em uma experiência surpreendente para Carlos Eduardo Maciel Cardozo, de 23 anos. O jovem fisgou um dourado de 19 quilos e 1,07 metro de comprimento no Rio Uruguai, nas proximidades do Porto Goio-Ên, em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina.
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Trabalhador da Aurora Coop e apaixonado por pesca desde a infância, Carlos estava acompanhado do pai quando conseguiu capturar o peixe. A disputa durou aproximadamente 15 minutos e ganhou repercussão nas redes sociais nesta semana.
O resultado surpreendeu até mesmo o pescador, que não havia saído de casa com a expectativa de encontrar um exemplar tão grande. A dupla pretendia pescar jundiás, atividade que costuma realizar em conjunto. No entanto, diante da oportunidade, Carlos decidiu experimentar uma isca artificial para tentar atrair um dourado.
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A pescaria ocorreu após dias de chuva, quando a correnteza do rio estava intensa. Mesmo com as condições desafiadoras, o jovem lançou a isca e conseguiu provocar o ataque do peixe.
“Ali a emoção tomou conta. Eu estava com uma mão segurando a vara e a outra, o celular, porque meu pai não conseguia gravar. Ele estava segurando em um galho para o barco não sair do lugar com a força da água”, conta Carlos.
O porte do exemplar e as características da espécie ajudam a dimensionar a captura. Conforme explica o biólogo e professor Leonardo de Barros, especialista em educação ambiental, o peixe fisgado por Carlos era uma fêmea de dourado. A espécie pode atingir 25 quilos e ultrapassar um metro de comprimento.
As fêmeas apresentam algumas particularidades físicas que permitem diferenciá-las dos machos. Segundo o especialista, elas geralmente possuem o corpo mais robusto, principalmente na região ventral, que tende a ser arredondada para acomodar os ovos. A cabeça também costuma ser maior.
Além das dimensões, o dourado é conhecido pela velocidade e pela capacidade de atacar suas presas. O peixe costuma permanecer próximo a pedras e em pontos de correnteza.
“Ele fica escondido atrás das pedras, esperando a presa passar. Quando ela passa, ele ataca, porque é muito rápido. O ataque desse bicho é descomunal”, explica Leonardo.
Uso de isca artificial torna a captura ainda mais rara
A forma como Carlos conseguiu fisgar o dourado também chamou a atenção do biólogo. De acordo com Leonardo, exemplares desse porte são frequentemente capturados com iscas naturais, como tuvira, mandi, jundiá e piava. Por isso, conseguir atrair um peixe de 19 quilos utilizando uma isca artificial é considerado um acontecimento incomum.

Pescaria aconteceu na véspera do período da piracema
A captura foi realizada em 30 de setembro, um dia antes do início do período de restrições à pesca informado para a região.
A piracema corresponde à época em que espécies de peixes migradores se deslocam pelos rios em busca de condições adequadas para a reprodução e a desova. Esse processo é fundamental para a renovação das populações naturais.
Durante esse período, a pesca pode ser proibida ou limitada para determinadas espécies e em locais específicos, conforme as regras ambientais aplicáveis a cada bacia hidrográfica.



