A safra brasileira de maçãs da variedade Fuji está sendo marcada por um fenômeno natural que vem despertando atenção de produtores e especialistas: o chamado “pingo de mel”. A característica se manifesta no interior da fruta, formando pequenas áreas translúcidas e amareladas na polpa, indicativo de maior concentração de açúcares.
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Na prática, esse processo resulta em maçãs mais doces, suculentas e com sabor mais intenso, o que eleva a qualidade sensorial da produção em diversas regiões produtoras do país.
Clima e colheita prolongada explicam aumento do fenômeno
O aumento da incidência do pingo de mel nesta safra está relacionado a condições climáticas específicas registradas durante a fase final de maturação das frutas. Temperaturas mais baixas e um ciclo de colheita mais longo favoreceram o acúmulo natural de açúcares na polpa.
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De acordo com a Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), o cenário também foi influenciado pelo maior volume de produção, que exigiu uma colheita mais estendida ao longo do tempo.
O diretor-executivo da entidade, Moisés Lopes de Albuquerque, destaca que o conjunto desses fatores resultou em frutas com padrão sensorial superior, equilibrando doçura e acidez natural.
Alta produção impacta ritmo da colheita e qualidade final
A ABPM estima que a produção brasileira de maçã em 2026 fique entre 1,1 milhão e 1,2 milhão de toneladas, um crescimento de cerca de 40% em relação ao ciclo anterior.
O cultivo está concentrado principalmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, com destaque para as variedades Fuji e Gala. O aumento da oferta fez com que a colheita se estendesse por mais tempo, permitindo que parte das frutas permanecesse mais dias nos pomares.
Produtores afirmam que esse fator é determinante para o surgimento do pingo de mel, embora não seja uma prática controlada, já que envolve riscos climáticos como granizo e perdas na lavoura.

Mercado ainda não reconhece valor comercial no Brasil
Apesar de ser altamente valorizado em mercados asiáticos, especialmente no Japão, onde a variedade Fuji tem origem, o pingo de mel ainda não é amplamente reconhecido pelo consumidor brasileiro.
Em alguns casos, a característica já foi confundida com defeitos de conservação ou transporte, o que levou o setor produtivo a realizar campanhas de esclarecimento em safras anteriores.
O presidente da ABPM, Francisco Schio, lembra que situações semelhantes já ocorreram no passado, exigindo orientação direta ao varejo e distribuidores.
Identificação no pomar e perda do efeito após armazenamento
No campo, produtores experientes relatam conseguir identificar indícios do pingo de mel ainda antes da colheita, observando pequenas variações na coloração externa da fruta.
No entanto, o fenômeno não se mantém indefinidamente. Segundo relatos do setor, o aumento de açúcar tende a reduzir após cerca de 30 dias em câmara fria, diminuindo a intensidade do sabor mais doce.
Por isso, cooperativas vêm adotando materiais informativos nas embalagens para orientar o consumidor sobre a característica natural da fruta nesta safra.
Produção regional reforça cenário positivo
Em regiões produtoras de Santa Catarina, a colheita também registrou crescimento significativo neste ano, com aumento de produtividade em relação ao ciclo anterior.
Produtores relatam que uma parcela relevante das maçãs Fuji apresenta o pingo de mel, reforçando o caráter excepcional da safra e a percepção de maior qualidade das frutas no mercado.



