Agronegócio em Santa Catarina: presidente da Epagri destaca investimentos, inovação e desafios
Ernesto Júnior
Dirceu Leite - Presidente da Epagri | Foto: Fabiano Trindade - Rádio Videira
O agronegócio catarinense, reconhecido nacionalmente pela força da agricultura familiar e pela alta produtividade no campo, esteve no centro do RBV Entrevista desta semana. Durante participação nos estúdios da Rádio Videira, o presidente da Epagri, Dirceu Leite, falou sobre os investimentos do Governo do Estado no setor, os impactos das mudanças climáticas, os avanços tecnológicos no campo e a importância da sucessão familiar para garantir o futuro da agricultura em Santa Catarina.
Em roteiro pelo Meio-Oeste catarinense, passando por municípios como Videira, Caçador, Campos Novos e região Serrana, Dirceu destacou que a visita tem como objetivo fortalecer o diálogo com pesquisadores, técnicos e agricultores, além de acompanhar de perto os trabalhos desenvolvidos nas estações experimentais da Epagri.
Segundo ele, a Epagri vive um novo momento institucional, ampliando sua atuação além da pesquisa agropecuária e extensão rural.
“A Epagri faz pesquisa agropecuária há 50 anos e, a partir de 2025, também passou a atuar como empresa de ensino agrotécnico. Assumimos cinco colégios agrícolas e casas familiares rurais do Estado”
Agricultura familiar impulsiona o agronegócio catarinense
Durante a entrevista, o presidente reforçou que Santa Catarina possui um modelo agrícola diferenciado, baseado principalmente na agricultura familiar. Conforme Dirceu Leite, o Estado possui cerca de 180 mil estabelecimentos agropecuários, sendo que aproximadamente 80% são pequenas propriedades rurais.
Mesmo enfrentando limitações geográficas, como relevo acidentado, morros e encostas, Santa Catarina segue como referência nacional na produção de alimentos. “Somos um estado pequeno em tamanho, mas gigante na produção de alimentos para o Brasil e para o mundo”, afirmou. Ele destacou ainda a relevância do Meio-Oeste catarinense para o sucesso do agronegócio estadual, especialmente nas áreas da fruticultura, vitivinicultura e produção agrícola diversificada.
Um dos principais assuntos abordados na entrevista foi o lançamento do programa SC Rural 2, apresentado recentemente em Canoinhas, no Planalto Norte. O projeto, desenvolvido pelo Governo de Santa Catarina em parceria com a Epagri, Secretaria da Agricultura, Cidasc e IMA, prevê investimento de 150 milhões de dólares ao longo dos próximos cinco anos, com impacto estimado em 750 milhões de dólares na economia catarinense. Segundo Dirceu Leite, cerca de 60% dos recursos serão destinados diretamente aos produtores rurais.
“A agricultura acontece na pequena propriedade, no interior do estado. É lá que o governo precisa estar presente”
O programa terá foco em quatro pilares principais: resiliência hídrica; inclusão social; infraestrutura rural e inovação no campo. Entre as ações previstas estão melhorias em estradas rurais, fortalecimento energético no campo, incentivo à inovação agrícola e apoio à permanência das famílias na atividade rural.
El Niño preocupa setor agrícola em Santa Catarina
Outro tema de destaque foi a possibilidade de atuação do fenômeno El Niño a partir do segundo semestre deste ano. O presidente da Epagri confirmou que o monitoramento climático já aponta aquecimento significativo das águas do Oceano Pacífico, cenário associado ao aumento das chuvas em Santa Catarina.
Segundo ele, os meses de setembro e outubro devem concentrar os maiores impactos climáticos. Através do Epagri/Ciram, a instituição realiza acompanhamento constante das condições meteorológicas por meio de mais de 250 estações agrometeorológicas espalhadas pelo Estado.
“Há uma tendência de aumento das chuvas, mas isso não significa automaticamente grandes enchentes. Outros fatores também precisam colaborar para que isso aconteça”
Ao comentar os prejuízos causados pelas fortes chuvas e tempestades de granizo que atingiram o Meio-Oeste catarinense em junho do ano passado, afetando principalmente a vitivinicultura e pequenos produtores rurais, o presidente reforçou a necessidade de os agricultores acompanharem constantemente as previsões climáticas.
Segundo ele, a Epagri trabalha no desenvolvimento de um aplicativo que permitirá acesso rápido às informações meteorológicas, ajudando agricultores a se prepararem com maior antecedência. “Santa Catarina sofre frequentemente com eventos extremos, como vendavais e granizo. Por isso, informação e prevenção são fundamentais”, ressaltou. Além disso, Dirceu Leite destacou que Santa Catarina é referência nacional em políticas públicas voltadas ao apoio dos agricultores afetados por intempéries climáticas.
Inovação e sucessão familiar são prioridades da Epagri
A entrevista também abordou o avanço das tecnologias no agronegócio e o papel da inovação no fortalecimento da agricultura familiar. De acordo com o presidente da Epagri, a região Meio-Oeste se destaca pelo crescimento da vitivinicultura e da fruticultura, especialmente na produção de uvas, maçãs, kiwi e caqui.
Durante a passagem por Videira, Dirceu visitou a estação experimental da Epagri e acompanhou pesquisas voltadas ao desenvolvimento de novas cultivares adaptadas à realidade catarinense. No entanto, ele destacou que nenhum avanço tecnológico substitui a importância das pessoas no campo.
“Não existe nada que substitua as pessoas. São elas que fazem Santa Catarina acontecer”
Por isso, a sucessão familiar vem sendo tratada como prioridade pela instituição. A Epagri atua na capacitação de jovens agricultores através de centros de treinamento e colégios agrícolas, incentivando gestão, planejamento e empreendedorismo rural. “Uma pequena propriedade pode ser um grande empreendimento”, enfatizou.