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Após 8 meses em baixa, mercado do leite dá sinais de recuperação

Após 8 meses em baixa, mercado do leite dá sinais de recuperação

Foto: Foto: Aires Mariga/Epagri

Os preços do leite pagos aos produtores começaram a apresentar sinais de recuperação a partir de fevereiro de 2026, após um período de aproximadamente oito meses consecutivos de queda. A desvalorização registrada anteriormente foi impulsionada principalmente pelo aumento da oferta no mercado, cenário que impactou diretamente a renda dos produtores rurais.

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De acordo com dados divulgados pelo IBGE, a captação de leite no Brasil atingiu 27,5 bilhões de litros em 2025, representando um crescimento de 8,4% em relação ao ano anterior.

Esse aumento ampliou a disponibilidade interna do produto, o que contribuiu para pressionar os preços ao longo do ano passado.

Santa Catarina segue como um dos principais protagonistas da produção nacional, ocupando a quarta posição no ranking brasileiro, com cerca de 13% do total produzido — o equivalente a aproximadamente 3,5 bilhões de litros.

Ajuste entre oferta e demanda será determinante

Segundo análise da Epagri/Cepa, a reação nos preços reflete um movimento natural de ajuste de mercado após um período de excesso de produção.

“A reação dos preços observada a partir de fevereiro reflete um processo de ajuste depois de um período prolongado de excesso de oferta. O crescimento da produção em 2025 foi o principal fator de pressão baixista. Para 2026, a recuperação vai depender do equilíbrio entre oferta e demanda e, em estados como Santa Catarina, tende a ser mais gradual se a produção seguir elevada”, afirma a analista Andrea Castelo Branco.

Apesar de contribuírem para o aumento da oferta, as importações tiveram impacto menor neste cenário, já que ficaram abaixo dos volumes registrados em 2024.

Exportações, importações e competitividade

Os dados mais recentes apontam que o Brasil exportou 3,2 mil toneladas de leite e derivados em março de 2026, volume estável em relação ao mês anterior, mas com queda de 4% na comparação anual.

Já as importações cresceram 30% em relação a fevereiro e ao mesmo período de 2025, somando 28,3 mil toneladas, com destaque para o leite em pó.

Em Santa Catarina, as exportações atingiram 75,5 toneladas no mês, enquanto as importações chegaram a 639 toneladas. O resultado foi um déficit comercial de cerca de 563 toneladas, ainda elevado, mas menor do que o registrado no mesmo período do ano anterior.

Preços começam a subir, mas ainda não recuperam perdas

O cenário catarinense indica uma recuperação gradual dos preços em 2026. O Conseleite/SC projeta valor de referência próximo de R$ 2,33 por litro para abril, enquanto levantamentos da Epagri/Cepa apontam média de R$ 2,35 no início do mês.

Mesmo com a melhora, os valores ainda não compensam as perdas acumuladas, já que permanecem cerca de 17% abaixo dos registrados em abril de 2025.

Além disso, derivados lácteos como leite UHT, mussarela e queijo prato apresentaram alta no atacado entre fevereiro e abril, reforçando o movimento de recomposição de preços ao longo da cadeia produtiva.

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