A produção brasileira de trigo deve registrar uma forte redução na safra 2025/26. O 12º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta terça-feira (15), estima cerca de 5,7 milhões de toneladas do cereal, uma queda de 27,1% em relação à safra anterior.
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A retração está relacionada principalmente à diminuição da área cultivada, estimada em 1,9 milhão de hectares, recuo de 21,2%. A produtividade também deve cair 7,5%, para aproximadamente 2,9 mil quilos por hectare. O Rio Grande do Sul continua como o principal produtor nacional.
Menor produção significa pão mais caro?
A redução na oferta do trigo poderia pressionar os preços de produtos derivados, como farinha e pão. No entanto, os dados atuais de inflação ainda não indicam uma alta expressiva relacionada à menor produção.
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No caso da farinha de trigo, houve queda de 4,33% no acumulado do ano e de 5,32% nos últimos 12 meses. Em agosto, o produto teve alta de 0,43%. Já o pão francês acumulou aumento de 3,78% no ano e de 4,65% nos últimos 12 meses, com variação de 0,40% em agosto.
Segundo o economista Felippe Serigati, da FGV Agro, esses números ainda não demonstram uma pressão significativa sobre o consumidor. Ele ressalta, porém, que a safra ainda não foi totalmente colhida e que as condições climáticas podem influenciar a qualidade do trigo.
“Só que a safra de trigo ainda não foi colhida completamente. As chuvas que temos observado na região Sul podem estar deteriorando a qualidade desse trigo. Então, mesmo que colhamos o trigo, temos de estar atentos à qualidade dele, se os moinhos vão conseguir absorver integralmente”, afirma Serigati.
O especialista também pondera que os preços mais estáveis registrados até agora precisam ser analisados com cautela, já que parte da produção ainda está no campo.

Por que o produtor plantou menos trigo?
Um dos principais fatores apontados para a redução da área foi o cenário de preços. Segundo o material, a tonelada do trigo está atualmente em torno de R$ 1,5 mil no Paraná, enquanto, em abril, período de início da semeadura, a cotação estava abaixo de R$ 1,3 mil.
Além disso, os agricultores enfrentam custos elevados, dificuldades financeiras e incertezas relacionadas ao clima. De acordo com o gerente substituto de acompanhamento de safras da Conab, Marco Antônio Chaves, as condições de mercado desestimularam o plantio.
“O preço não estava favorável no início do ano. A guerra no Oriente Médio encareceu demais os insumos, e o produtor não foi motivado a plantar trigo nesta safra”, explica Chaves.
A Conab também aponta que o excesso de chuvas nas regiões produtoras já provoca problemas relacionados a doenças nas culturas de inverno, especialmente no trigo. A colheita começou e, conforme o levantamento, alcançava 18% da área semeada.




