A identificação de um foco de Amaranthus palmeri, conhecido popularmente como caruru-gigante, em uma propriedade rural de Campo Erê, no Oeste catarinense, mobilizou órgãos de defesa agropecuária e entidades do setor produtivo. Como resposta, a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) realizará, no próximo dia 23 de junho, um seminário regional voltado à prevenção, identificação, contenção e manejo da espécie.
PARTICIPE DO NOSSO GRUPO NO WHATSAPP E RECEBA NOTÍCIAS
O evento tem como objetivo ampliar o conhecimento técnico sobre a planta invasora e orientar produtores rurais, profissionais da área agrícola, cooperativas, sindicatos, pesquisadores e representantes do agronegócio sobre os riscos e medidas necessárias para evitar sua disseminação.
A programação será realizada das 8h às 17h30, no Centro de Eventos da Prefeitura de Campo Erê, reunindo especialistas de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Especialistas de cinco estados vão compartilhar experiências
O seminário contará com palestras e mesas-redondas envolvendo engenheiros agrônomos da Cidasc, Epagri, Cooperativa Itaipu e representantes de órgãos estaduais de defesa agropecuária. Também participarão técnicos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Entre os temas previstos estão a identificação correta do Amaranthus palmeri, estratégias de manejo integrado, utilização de produtos disponíveis para controle da planta, além de experiências bem-sucedidas de contenção adotadas em outros estados brasileiros.
Segundo o coordenador de Sanidade das Grandes Culturas da Cidasc, Diogo Deoti, o encontro busca fortalecer a integração entre fiscalização, pesquisa, assistência técnica e produtores rurais.
“A realização do seminário permite aproximar a fiscalização, a pesquisa, a assistência técnica e os agricultores na discussão do problema e nas soluções propostas”, afirma.
“Além disso, a participação dos outros estados propicia o diálogo sobre ações de erradicação e do horizonte de manejo da planta daninha, tornando-se um amplo evento de educação sanitária”, completa.
Planta invasora representa risco para soja e milho
Considerada uma das plantas daninhas mais agressivas da agricultura mundial, o Amaranthus palmeri preocupa especialistas devido ao seu rápido crescimento, alta capacidade de reprodução e resistência a herbicidas amplamente utilizados nas lavouras.
A espécie pode crescer até três centímetros por dia e produzir entre 200 mil e 500 mil sementes por planta, podendo ultrapassar a marca de um milhão de sementes em alguns casos. Além disso, as sementes permanecem viáveis no solo por vários anos, dificultando o controle após sua instalação em uma área agrícola.
Outro fator que aumenta a preocupação é a resistência da planta ao glifosato e a herbicidas inibidores da enzima ALS, tecnologias frequentemente utilizadas no controle de plantas invasoras em cultivos de soja e milho.
Durante o período de verão, o caruru-gigante encontra condições ideais para se desenvolver rapidamente, competindo diretamente por água, luz e nutrientes e provocando perdas significativas de produtividade.
Santa Catarina registrou foco em 2026
A presença do Amaranthus palmeri no Brasil foi registrada pela primeira vez em Mato Grosso, em 2015. Posteriormente, a espécie foi identificada por produtores em Mato Grosso do Sul, São Paulo e, mais recentemente, em Santa Catarina, onde o primeiro foco foi confirmado em março deste ano, no município de Campo Erê.
Especialistas alertam que a identificação correta da planta é fundamental para impedir sua propagação, já que ela pode ser facilmente confundida com outras espécies de caruru encontradas nas lavouras.
Por isso, a orientação técnica e a rápida comunicação aos órgãos competentes são consideradas medidas essenciais para evitar prejuízos econômicos e proteger a produção agrícola catarinense.
Evento será gratuito
O Seminário Regional Amaranthus palmeri: prevenção, identificação, contenção e manejo é gratuito e aberto ao público. As inscrições podem ser realizadas antecipadamente pela internet.
A expectativa dos organizadores é reunir produtores, técnicos e representantes do setor agropecuário para fortalecer as estratégias de prevenção e controle da planta invasora, considerada uma das maiores ameaças fitossanitárias para as lavouras brasileiras.

