A produção de frutas é uma tradição na propriedade da família Shirayama, em Caçador. Há anos, o cultivo de maçã, pêssego, ameixa e da conhecida pera japonesa garante a renda e mantém viva a vocação agrícola da família. No entanto, uma nova cultura vem ganhando destaque: a goiaba serrana.
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A introdução da fruta começou há cerca de 10 anos, a partir do incentivo do filho de Roque Shirayama, que mora em São Joaquim, na Serra Catarinense. No início, o produtor admite que não conhecia a fruta e tinha dúvidas sobre o cultivo. Mesmo assim, decidiu apostar e plantou 80 pés de goiaba em uma área da propriedade.
As primeiras safras, porém, não foram animadoras. A produção foi fortemente prejudicada pelo ataque de pragas, especialmente a mosca-das-frutas, conhecida por afetar diretamente a qualidade dos frutos.
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Diante das dificuldades, Roque decidiu adaptar uma técnica já utilizada no cultivo de pera: o ensacamento das frutas. A estratégia consiste em proteger cada fruto individualmente, evitando o ataque de insetos. A iniciativa deu resultado.

Neste ano, o produtor chegou a ensacar cerca de 40 mil goiabas, uma a uma. Apenas os frutos localizados nos galhos mais altos ficaram sem proteção. Além disso, foram instaladas armadilhas biológicas para reforçar o controle das pragas, capturando centenas de moscas.
Com os cuidados adotados, a produção apresentou um salto significativo. A colheita, realizada entre fevereiro e março, chegou a aproximadamente uma tonelada, volume considerado expressivo para a cultura na propriedade.
A comercialização ocorre na barraca da família, localizada às margens da rodovia SC-135, na saída de Caçador em direção a Porto União. Quem atende os clientes é Elisa Shirayama, esposa de Roque. Segundo ela, a goiaba serrana ainda é novidade para muitos consumidores, mas também desperta memórias afetivas.
“É uma fruta que muitas pessoas lembram da infância, da casa dos avós ou de familiares”, comenta.
O cliente Angelo Fantin aprovou a iniciativa e destacou o valor emocional da fruta. “Desde criança eu conheço a goiaba. É um gosto de infância. Nunca tinha visto sendo comercializada assim, então com certeza volto para comprar novamente”, afirmou.
Na barraca, o quilo da goiaba serrana é vendido a R$ 10, um preço acessível para uma fruta de sabor marcante e considerada rica em nutrientes, com destaque para o alto teor de vitamina C.
Para os próximos anos, a família pretende expandir a produção e levar a fruta também para mercados da cidade. A estratégia inclui o investimento em mudas enxertadas, que possuem custo mais elevado, mas oferecem retorno mais rápido.
Roque destaca que o processo é de constante aprendizado. Além de testar novas técnicas, como a poda, ele segue buscando conhecimento para aprimorar o cultivo.
“Inovar é preciso, mas sempre aprendendo. A gente tem que estudar sempre”, afirma o produtor, que segue confiante no crescimento da goiaba serrana como alternativa de renda no campo.





