Ícone do site PortalRBV

Queda no preço da cebola faz municípios de SC decretarem emergência

Queda no preço da cebola faz municípios de SC decretarem emergência

Foto: Reprodução Canva

Mais municípios de Santa Catarina oficializaram decreto de situação de emergência diante da forte desvalorização da cebola. Além de Ituporanga, reconhecida como a capital nacional da produção do alimento, outras seis cidades formalizaram a medida após constatarem que o valor pago ao produtor caiu aproximadamente 50% em relação ao registrado no ano anterior.

PARTICIPE DO NOSSO GRUPO NO WHATSAPP E RECEBA NOTÍCIAS

No Alto Vale do Itajaí, aderiram ao decreto Atalanta, Chapadão do Lageado e Imbuia. Já em outras regiões do Estado, também anunciaram situação de emergência Alfredo Wagner e Leoberto Leal, na Grande Florianópolis, além de Lebon Régis, no Meio Oeste. Conforme destacado nos documentos publicados na última semana, essas localidades têm na cebolicultura uma das principais bases econômicas, o que torna o impacto da queda nos preços ainda mais severo para agricultores familiares.

Com o reconhecimento oficial da emergência, as administrações municipais passam a ter respaldo legal para implementar medidas extraordinárias de apoio. Entre as ações possíveis estão a revisão de prazos administrativos, auxílio para acesso a financiamentos e intermediação na renegociação de dívidas, buscando amenizar os prejuízos e oferecer condições para que os produtores consigam atravessar o período de instabilidade.

Conforme já apontado em reportagem do NSC Total, um estudo técnico indicou que o custo médio de produção da cebola — considerando mudas, defensivos agrícolas, maquinário e mão de obra — gira em torno de R$ 1,33 por quilo. Na safra anterior, entretanto, o valor recebido pelo agricultor ficou abaixo desse patamar, alcançando cerca de R$ 1,20 por quilo, insuficiente para cobrir plenamente as despesas.

De acordo com Volmir Borssatto, engenheiro agrônomo de Ituporanga, o preço considerado adequado para equilibrar custos e permitir investimentos seria de R$ 2 por quilo. Segundo ele, a última safra em que os produtores conseguiram comercializar dentro desse valor ideal foi a de 2023/2024.

Para dimensionar os reflexos na economia regional, o agrônomo explica que, se o quilo fosse vendido a R$ 2, a arrecadação poderia atingir algo entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões. Com os valores atuais, porém, o montante deve ficar em torno de R$ 100 milhões, reduzindo drasticamente a circulação de recursos nos municípios produtores.

Somente em Ituporanga, a colheita deste ano alcançou aproximadamente 158 mil toneladas. Parte dos agricultores que dispõe de estrutura de armazenamento opta por manter a produção estocada na expectativa de uma recuperação nos preços. Contudo, o tempo para aguardar é limitado. A partir de março, tradicionalmente, a cebola argentina começa a ingressar com mais força no mercado brasileiro. Embora o cenário de preços baixos possa reduzir o volume importado, a concorrência externa ainda é vista como um fator adicional de preocupação.

Os números da cebola em SC

Santa Catarina responde por cerca de 40% da cebola consumida no Brasil;

Aproximadamente 30% dessa produção vem do Alto Vale do Itajaí;

Em torno de 10% do total estadual é originado especificamente de Ituporanga.

Nossas Redes Sociais

YouTube

Facebook

Instagram

Sair da versão mobile