A Acadêmicos de Niterói terminou a apuração de quarta-feira (18) na última colocação do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro e, com isso, foi rebaixada para a Série Ouro. A escola, que estreava na elite das agremiações em 2026, somou poucas notas máximas — apenas duas — ao longo da leitura dos quesitos.
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Com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a agremiação levou à Marquês de Sapucaí, no desfile de domingo (15), uma narrativa sobre a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A apresentação percorreu desde a infância no Nordeste, passando pela mudança da família para São Paulo, o período como torneiro mecânico, a atuação no movimento sindical e a chegada à Presidência da República.
Na comissão de frente, a escola encenou a rampa do Palácio do Planalto, remetendo à mais recente cerimônia de posse, com a presença simbólica de representantes da sociedade civil. Integrantes do elenco também interpretaram figuras políticas como o ministro Alexandre de Moraes, do STF, além dos ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.
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O carro abre-alas destacou o agreste pernambucano, região natal de Lula, explorando elementos que simbolizavam tanto a riqueza cultural quanto as dificuldades históricas da área. Em outro momento do desfile, a escola fez críticas às políticas sociais do governo Bolsonaro e à condução da pandemia. Já na parte final de uma das alegorias, houve menção à prisão do ex-presidente.
A apresentação, entretanto, enfrentou dificuldades operacionais. Alegorias ficaram presas na dispersão, provocando atraso na saída da avenida. O encerramento foi marcado por correria, e um dos carros permaneceu na pista após o término do tempo regulamentar. A escola que desfilava na sequência, a Imperatriz, declarou ter sido impactada pelo problema.
Ações judiciais e questionamentos
O enredo escolhido pela Acadêmicos de Niterói motivou pelo menos dez ações judiciais e representações protocoladas no Ministério Público e no Tribunal de Contas da União (TCU). As medidas buscavam impedir o desfile ou suspender e rever repasses de verbas públicas destinados à escola.
Os autores das ações sustentavam que partes do samba e da encenação configurariam propaganda eleitoral antecipada em favor do presidente Lula, o que é vedado antes de 16 de agosto, conforme a legislação eleitoral. Também foram apresentados pedidos para impedir a presença do presidente na Sapucaí e para limitar manifestações consideradas ofensivas a adversários políticos.
O tema chegou ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que, por decisão unânime, rejeitou o pedido de liminar para barrar o desfile. Os ministros entenderam que a proibição poderia caracterizar censura prévia. Ainda assim, alertaram que eventuais excessos ocorridos na avenida poderiam ser analisados posteriormente, com possibilidade de sanções.
Após a decisão, o Partido dos Trabalhadores orientou seus filiados a evitarem atitudes que pudessem ser interpretadas como campanha antecipada. O governo federal, por sua vez, negou qualquer irregularidade, declarou não ter interferido na definição do enredo e argumentou que o apoio financeiro às escolas de samba é prática recorrente.
Depois da apresentação, Lula manifestou apoio à escola por meio das redes sociais. Em resposta, lideranças da oposição anunciaram novas iniciativas judiciais, reiterando acusações de promoção eleitoral antecipada e uso indevido de recursos públicos.
Entre as críticas, parlamentares — especialmente da bancada evangélica — questionaram a ala intitulada “Neoconservadores em conserva”, que retratava famílias dentro de latas, algumas com adereços de conotação religiosa.
Na segunda-feira (16), a Acadêmicos de Niterói publicou nota oficial afirmando ter sido alvo de perseguição ao longo da preparação para o carnaval, em razão do tema escolhido para o desfile.

