Conflito no Irã acende alerta global e pressiona geopolítica em 2026
Ernesto Júnior
Foto: Reprodução Info Money
Pouco mais de um mês após a crise envolvendo a Venezuela, o cenário internacional volta a registrar forte tensão, acendendo alerta global. No último sábado, os Estados Unidos, em ação conjunta com Israel, bombardearam o Irã, ampliando o clima de instabilidade geopolítica em 2026. O tema foi analisado no RBV Entrevista pelo professor universitário Joao Vitor Passuello Smaniotto, que destacou a repetição de um padrão estratégico nas recentes intervenções.
De acordo com o professor, há um fator determinante que conecta os dois episódios recentes.” Existe um elemento muito claro que explica a atuação dos Estados Unidos nesses dois países: o petróleo. Tanto a Venezuela quanto o Irã estão entre os maiores produtores do mundo”, afirmou.
Segundo ele, a manutenção da posição norte-americana como potência global está diretamente ligada ao controle de regiões estratégicas produtoras de energia. “Os países que produzem petróleo costumam receber uma atenção militar bastante evidente dos Estados Unidos.”
A tensão aumentou após a morte de Ali Khamenei, líder supremo do Irã, durante os ataques. O episódio eleva o risco de ampliação do conflito, especialmente por envolver um país que detém tecnologia nuclear. O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou recentemente a intensificação do programa nuclear francês, o que, para o professor, amplia o clima de insegurança internacional.
“Quando envolve países que detêm tecnologia nuclear, todo o medo se intensifica. Nós estamos normalizando conflitos armados de alta intensidade no mundo”
Ele alerta que conflitos prolongados podem gerar impactos econômicos globais, sobretudo no preço do petróleo.
“Se o conflito ultrapassar 30 dias, nós podemos ter uma intensificação nos preços das commodities, especialmente petróleo e diesel”
Direitos humanos e limites da ONU
A escalada também reacende o debate sobre soberania nacional e direitos humanos. Para o professor, o sistema internacional enfrenta limitações práticas diante de grandes potências. “Quando o conflito está instaurado, os direitos humanos ficam, de certa maneira, de mãos atadas. O direito serve para evitar a guerra, mas quando a guerra começa, ele perde força.”
Segundo ele, a Organização das Nações Unidas atua como espaço de diálogo e pressão diplomática, mas não possui mecanismos diretos para impedir ações militares de países com grande poder bélico. “A ONU é um espaço de discussão e até de constrangimento político, mas não tem força para barrar uma ação militar dessa magnitude.”
A política externa do presidente Donald Trump também foi mencionada como fator central no atual cenário Para Smaniotto, os Estados Unidos estariam utilizando sua força militar para retardar a perda de hegemonia econômica diante do avanço da China.
“Os Estados Unidos buscam, através da força militar, demorar mais para perder essa hegemonia. Isso não é um ponto fora da curva, é uma postura histórica”
Impactos no Brasil e na América Latina
O professor ainda alertou para possíveis reflexos no Brasil, especialmente em um ano eleitoral. “A América Latina é considerada espaço estratégico dos Estados Unidos. Eles não vão abrir mão desse espaço de maneira gratuita.”
Segundo ele, mesmo que o país não enfrente conflito militar direto, as disputas políticas e econômicas podem se intensificar. “No Brasil, a batalha é política, mas muitas vezes é tão sangrenta quanto uma guerra.” Com crises sucessivas envolvendo Venezuela e Irã em um curto intervalo de tempo, especialistas avaliam que o mundo vive um período de instabilidade crescente.
“Nós estamos nos aproximando de um cenário de conflitos armados permanentes”