Uma forte enchente atingiu nesta quarta-feira (26) a região montanhosa do Nepal próxima à fronteira com o Tibete, na China. Cerca de 400 pessoas estão desaparecidas após a inundação repentina, que também deixou mortos e provocou uma série de estragos.
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A região do rio Bhote Koshi foi uma das mais afetadas. A força da água destruiu casas, arrastou veículos e pontes e danificou estradas e estruturas de energia.
Entre os desaparecidos estão centenas de estrangeiros. As autoridades ainda trabalham para confirmar a identidade e a localização das pessoas que não foram encontradas após o desastre.
Enchente destruiu comunidades inteiras
O distrito montanhoso de Rasuwa está entre os pontos mais atingidos. Com aproximadamente 50 mil habitantes, a região enfrenta dificuldades de acesso devido à destruição de estradas e à elevação do nível dos rios.
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Imagens divulgadas após a enchente mostram casas destruídas, carros sendo carregados pela correnteza e uma ponte metálica arrastada pela força da água.
Testemunhas também relataram que comunidades próximas ao rio foram completamente atingidas. O cenário dificultou a chegada das equipes de emergência.
O administrador distrital Narendra Pariyar pediu que moradores que vivem próximos ao rio procurem locais mais altos diante do risco de novas ocorrências.
“Pode haver muitas vítimas ou perda de bens”, disse o administrador distrital Narendra Pariyar, que pediu aos moradores das margens do rio que se deslocassem para terrenos mais altos.
A situação também afetou a região do Tibete. No condado de Gyirong, um deslizamento atingiu uma passagem terrestre entre os dois países.
O deslizamento provocou interrupções nas estradas, nas comunicações e no fornecimento de energia. Também há relatos de pessoas desaparecidas no lado chinês.
Resgate enfrenta dificuldades
As equipes de emergência enfrentam obstáculos para chegar aos pontos mais atingidos. Em algumas áreas, os rios continuam acima do nível normal, impedindo o pouso de helicópteros.
Policiais e militares foram mobilizados para auxiliar nas buscas. As autoridades também trabalham para identificar os desaparecidos e verificar a extensão dos danos.
Um dos relatos mais graves veio de Tula Bahadur BK, profissional de saúde que vive em Rasuwa. Segundo ele, cinco familiares estão desaparecidos.
“Há devastação por toda parte. Os assentamentos próximos ao rio foram completamente destruídos. Cinco dos meus parentes estão desaparecidos”, disse Tula Bahadur BK, uma profissional de saúde em Rasuwa, à Reuters.
No lado chinês, oito sul-coreanos que trabalhavam em uma usina hidrelétrica também estão desaparecidos. Outros trabalhadores ficaram isolados após a enchente.
O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, afirmou que forças policiais e militares participam das operações de resgate.
Terremoto pode ter relação com o desastre
A origem da enchente ainda não foi oficialmente determinada. Entre as hipóteses analisadas está um terremoto de magnitude 4,4, registrado a cerca de 10 quilômetros de profundidade pouco antes do desastre.
Por ser um tremor considerado raso, o terremoto pode ter contribuído para a instabilidade do terreno e provocado deslizamentos. No entanto, as autoridades ainda investigam se houve relação direta entre o abalo e a inundação.
Outra possibilidade envolve o deslocamento de gelo e rochas ou o esvaziamento repentino de um lago glacial. Uma enchente semelhante ocorreu no mesmo rio no ano passado e, posteriormente, foi relacionada ao rompimento de um lago desse tipo.
China reforça esforços de resgate
O presidente da China, Xi Jinping, determinou o reforço das operações para localizar e resgatar pessoas desaparecidas.
Ele também pediu o aprimoramento do monitoramento e dos sistemas de alerta para reduzir os riscos de novos desastres.
O governo chinês enviou autoridades ao Tibete para acompanhar as operações. Enquanto isso, equipes dos dois países continuam mobilizadas para localizar sobreviventes e avaliar os danos provocados pela enchente.





