Ícone do site PortalRBV

Queda de Maduro redesenha a geopolítica da América Latina

Queda de Maduro redesenha a geopolítica da América Latina

Foto: Reprodução | Redes Sociais

A primeira semana de janeiro de 2026 já entrou para a história da geopolítica latino-americana. A prisão de Nicolás Maduro, após uma intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, surpreendeu o mundo e acendeu um alerta global sobre os rumos da política internacional. O tema foi analisado em profundidade no RBV Entrevista, em conversa conduzida pelo jornalista Ernesto Júnior com o professor e doutor em Direito Constitucional e Filosofia do Direito, Everton Luiz da Silva.

PARTICIPE DO NOSSO GRUPO NO WHATSAPP E RECEBA NOTÍCIAS

Segundo o especialista, a queda de Maduro não foi um fato isolado nem improvisado. Trata-se de um movimento estratégico gestado há anos, intensificado desde o retorno de Donald Trump ao poder. Declarações recorrentes do presidente norte-americano, classificando Maduro como líder ligado ao narcotráfico e ao narcoterrorismo, já sinalizavam uma possível intervenção. O que surpreendeu foi a rapidez e a facilidade da operação, típica de estratégias militares que apostam no fator surpresa.

Para da Silva, a prisão de Maduro representa apenas a primeira etapa de um projeto muito maior, que não se encerra com a retirada do líder venezuelano. “Não se invade um país apenas para prender um presidente. Isso se resolve em anos, não em meses”, afirmou. O pano de fundo é claro: disputa econômica, controle de recursos naturais e redesenho da ordem geopolítica mundial.

Na avaliação do professor, os Estados Unidos vivem um processo de declínio relativo como potência hegemônica, enquanto a China avança de forma acelerada, especialmente no campo econômico, tecnológico e comercial. Incapaz de confrontar diretamente chineses ou russos sem provocar uma catástrofe global, Washington adota uma estratégia indireta: enfraquecer zonas de influência da China, sobretudo na América Latina, África e Ásia.

A Venezuela, rica em petróleo, tornou-se peça-chave nesse tabuleiro. Trump deixou claro, em declarações recentes, que não aceita que recursos estratégicos do Ocidente caiam nas mãos de adversários. Para Everton Luiz da Silva, esse discurso explicita uma política de Estado norte-americana, que atravessa governos, ainda que Trump a verbalize de forma mais agressiva.

Além da Venezuela, outros territórios entram no radar estratégico dos EUA, como a Groenlândia, pelas chamadas terras raras, fundamentais para a indústria tecnológica, e países latino-americanos com relevância econômica e política.

América Latina sob pressão e eleições como alvo

A análise aponta que a ofensiva norte-americana tende a atingir países economicamente mais frágeis, antes de qualquer confronto direto com grandes potências. A lógica é clara: é mais fácil intervir em países menores, garantindo acesso a petróleo, energia e matérias-primas, do que enfrentar China ou Rússia de forma direta.

Nesse contexto, Colômbia, México e Brasil surgem como pontos estratégicos. O professor destaca que as falas de Trump sobre líderes latino-americanos não são apenas diplomáticas, mas funcionam como instrumentos de interferência eleitoral, influenciando disputas internas e pressionando eleitores.

A Colômbia, que terá eleições nos próximos meses, pode se tornar um laboratório político para estratégias que, posteriormente, podem ser adaptadas ao Brasil, que vai às urnas em outubro de 2026.

“O Brasil é o país mais importante da América Latina em termos territoriais, econômicos e estratégicos. O impacto de uma mudança política aqui é muito maior”

O especialista alerta que o Brasil já está inserido nessa equação global, especialmente por sua parceria comercial com a China, participação nos BRICS e pela ameaça da desdolarização da economia, tema que Trump já classificou como uma “guerra que os Estados Unidos não podem perder”.

A tentativa de desacreditar sistemas eleitorais, o uso do medo como ferramenta política e a intensificação da polarização fazem parte de uma estratégia mais ampla, agora potencializada pelo uso da inteligência artificial e pela chamada economia da atenção.

“Despolitizar a sociedade é criar um terreno fértil para manipulação”

Para o professor, 2026 será um ano decisivo, marcado por disputas que vão muito além da política interna. As eleições brasileiras ocorrerão em um cenário de forte tensão internacional, com interesses externos claros sobre o futuro do país, seus recursos naturais, sua posição estratégica e seu alinhamento econômico.

Nossas Redes Sociais

YouTube

Facebook

Instagram

Sair da versão mobile