As restrições na oferta de óleo diesel continuam se intensificando em várias regiões do país, diante da disparada das cotações internacionais do petróleo desde o início da guerra entre EUA e Israel contra o Irã. Ontem, relatos de dificuldades chegaram do Sul ao Centro-Oeste, gerando apreensão sobre o escoamento da produção agrícola e o funcionamento de máquinas nas fazendas.
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Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), as importações de diesel caíram cerca de 60%, enquanto entidades do setor alertam para o risco de desabastecimento.
No governo, especialistas avaliam que o impacto deve se refletir nos preços de alimentos, principalmente no milho, que é usado na ração animal, e poderá encarecer carnes.
Até o momento, as medidas incluem redução de tributos sobre combustíveis e fiscalização de reajustes, mas também ganha força a ideia de uma linha de crédito emergencial para produtores.
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Impactos nas principais regiões produtoras
No Rio Grande do Sul, os rizicultores enfrentam dificuldades no fornecimento, enquanto produtores de soja no Centro-Oeste correm para concluir a colheita da safra e iniciar o plantio do milho. Em São Paulo, usinas de açúcar e etanol se preparam para a safra 2026/2027, e a falta de diesel ameaça atrasar o corte da cana.
O diesel abastece tanto caminhões responsáveis pelo transporte da produção quanto tratores que movimentam colheitadeiras e plantadeiras. Conforme José Vicente Caixeta, diretor da cAIxeta Inteligência Logística:
“O impacto não acontece apenas nos produtos que estão sendo colhidos, mas também naqueles que estão sendo plantados já que as plantadeiras e outras máquinas também usam o diesel.”
James Thorp, presidente da Fecombustíveis, reforça que a incerteza sobre preços e fornecimento está acelerando o consumo e sobrecarregando a distribuição: “As distribuidoras vêm atendendo os pedidos de acordo com a média do consumo dos postos. Pedidos extras não vêm sendo atendidos.”
No Sul, levantamento da Famurs aponta que 165 dos 345 municípios pesquisados relatam problemas no abastecimento para veículos e máquinas oficiais, aumentando os impactos nos serviços públicos. A Fedearroz alerta que o encarecimento do diesel coincide com um período de preços baixos do arroz, pressionando ainda mais o mercado.
Preços disparam e frete sobe
Mesmo restrições pontuais, o preço do diesel disparou: nas bombas, o aumento foi de 19,4% desde o início do conflito no Oriente Médio. O efeito já é sentido na logística, com o frete subindo entre 10% e 12%, segundo Caixeta. No Paraná, o Paranapetro relatou desabastecimento pontual, principalmente no interior, devido à alta demanda do agronegócio.
No Sudeste, produtores de grãos e cana-de-açúcar manifestam preocupação. Em Ribeirão Preto, várias usinas já enfrentam atrasos na colheita. No Centro-Oeste, caminhões transportam a soja recém-colhida, enquanto tratores precisam do diesel para plantar a segunda safra de milho. Segundo a Aprosoja-MT, o cenário ocorre em um momento crítico, com custos elevados, crédito caro, endividamento recorde e margens estreitas.
Ações do governo e alternativas
O governo federal monitora a situação e anunciou a desoneração de tributos federais sobre o diesel, além de subsídios para produtores e importadores.
A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) iniciará plantão de fiscalização para evitar preços abusivos em todo o país. Além disso, voltou a circular em Brasília a proposta de uma nova rodada do programa Brasil Soberano, com recursos para apoiar empresas afetadas pela alta dos combustíveis.
A crise do diesel evidencia a vulnerabilidade do agronegócio diante de conflitos internacionais e alerta para a necessidade de políticas públicas e estratégias de contingência para manter a produção e o abastecimento no país.

