As audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) começaram nesta segunda-feira (6) e marcam uma etapa crucial da investigação que pode resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
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O processo ocorre em Washington e reúne representantes de governos, empresas e entidades dos dois países. O objetivo é permitir a apresentação de argumentos técnicos antes da decisão final dos Estados Unidos, prevista para o dia 15.
Investigação americana entra na fase final e pressiona exportações brasileiras
A investigação é conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial dos EUA, que permite avaliar práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano.
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Segundo o USTR, temas como o Pix, acordos comerciais brasileiros, políticas de etanol, desmatamento, corrupção e até propriedade intelectual são pontos analisados como possíveis distorções comerciais.
O Brasil, no entanto, contesta as acusações e afirma que não há práticas desleais, reforçando que suas políticas seguem regras internacionais da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Audiências reúnem setores produtivos dos dois países
As audiências são realizadas em 14 painéis ao longo de dois dias. Cada participante tem cerca de cinco minutos para apresentar sua defesa.
Entre os representantes brasileiros estão entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Fiesp, a Abimaq e a CNA, além de setores ligados ao agronegócio, máquinas, siderurgia, café, mel, madeira e papel.
A estratégia central é mostrar que a medida pode afetar não apenas o Brasil, mas também empresas e consumidores norte-americanos, já que as cadeias produtivas são altamente integradas.
Indústria alerta para impacto econômico bilionário
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a tarifa pode atingir mais da metade das exportações brasileiras para os Estados Unidos, elevando custos e criando insegurança para empresas.
A Fiesp reforça que não há justificativa econômica para a medida e que setores como máquinas, alimentos industrializados e autopeças seriam fortemente afetados.
Já a Abimaq destaca que grande parte das exportações do setor ocorre entre empresas do mesmo grupo econômico, o que reforça a dependência entre as economias.
Agronegócio e siderurgia também entram na disputa
O agronegócio brasileiro participa das audiências com foco em café, mel, açúcar, etanol e pescados. A estratégia é demonstrar que a tarifa pode elevar preços e afetar também o consumidor americano.
Na siderurgia, o destaque é o ferro-gusa, insumo essencial para a indústria de aço nos EUA. O setor defende que não há substituto viável no curto prazo.
Negociações seguem até decisão final
Paralelamente às audiências, equipes técnicas do Brasil e dos EUA ainda devem realizar novas reuniões antes do prazo final de 15 de julho.
O governo brasileiro já enviou resposta oficial ao USTR, argumentando que questões como Pix e decisões do STF não têm relação com comércio internacional.

