Uma reunião realizada no gabinete do prefeito Alencar Mendes, em Caçador, debateu a situação crítica enfrentada pelos produtores de cebola do município. O encontro reuniu representantes da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Caçador, produtores rurais e cooperativas, que apresentaram a preocupação com a forte queda nos preços da safra.
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A presidente da associação, Angela Paviani, destacou que o momento é delicado para a economia local, já que a cebola é a segunda maior cultura agrícola do município. Segundo ela, apesar da manutenção das áreas plantadas e do aumento de produtividade nos últimos anos, o excesso de oferta no mercado tem pressionado os valores pagos aos produtores.
“Sem dúvida alguma, é um momento bastante delicado para a economia desses produtores, haja visto o excesso de produção pelos mercados externos, que tem esse elevado volume de produto, e nós precisamos, de certa forma, nos organizar para dar esse suporte, esse apoio aos nossos produtores, buscando alternativas para que se possa viabilizar a atividade agrícola aqui na nossa região”, afirmou.
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De acordo com Angela, estados como Minas Gerais e Goiás têm registrado grandes volumes de produção, além da entrada de cebola da Argentina, o que provoca uma enxurrada de mercadorias disponíveis e derruba os preços. “O produtor rural não está conseguindo sequer pagar o custo da produção”, pontuou.
Diante do cenário, a principal reivindicação apresentada ao Executivo é a decretação de situação de emergência econômica. A medida serviria como respaldo para que os agricultores possam renegociar dívidas e financiamentos junto às instituições bancárias, especialmente porque os pagamentos começam a vencer já no próximo dia 25.
O prefeito Alencar Mendes reconheceu a gravidade da situação e afirmou que, embora não se trate de um problema causado por intempéries, como granizo ou seca, o impacto econômico é significativo. Segundo ele, a crise não atinge apenas Caçador, mas toda a região e o estado de Santa Catarina.
“Vamos fazer toda a análise jurídica, mas muito provavelmente seja publicado um decreto de emergência econômica na questão dessa produção da cebola aqui no município de Caçador”, declarou.
O objetivo é formalizar o reconhecimento da situação para facilitar a renegociação de prazos, juros e financiamentos, além de buscar apoio do Governo do Estado para possíveis linhas de crédito, subsídios ou medidas de suporte ao setor.
O tema também deve ser levado para discussão regional na próxima reunião da Associação dos Municípios do Alto Vale do Rio do Peixe (AMARP), marcada para sexta-feira (20). Alencar, que encerra seu mandato como presidente da entidade nesta reunião, afirmou que pretende reforçar a necessidade de uma mobilização conjunta dos municípios que têm na cebola uma fatia importante da economia.
Com a possível publicação do decreto no Diário Oficial do Município, a expectativa é que os produtores tenham respaldo formal para iniciar imediatamente as negociações com os bancos e buscar alternativas para manter a atividade agrícola ativa em Caçador.



