A possibilidade de fechamento de 25 agências dos Correios em Santa Catarina preocupa moradores, trabalhadores e lideranças sindicais, especialmente nos municípios do Meio-Oeste, região que concentra boa parte das unidades incluídas na lista divulgada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Empresa de Correios e Telégrafos e Similares (Sintect).
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As agências apontadas pelo sindicato atendem cidades de pequeno porte e, em muitos casos, contam com apenas um servidor. Segundo a entidade, essa estrutura torna o funcionamento vulnerável, principalmente quando o funcionário se aposenta, é transferido ou deixa o cargo sem reposição.
Apesar da preocupação, os Correios afirmam que ainda não há definição sobre quais unidades serão efetivamente encerradas e destacam que qualquer decisão depende de estudos técnicos e da implementação de alternativas para manter o atendimento à população.
Meio-Oeste reúne maior número de agências ameaçadas
Entre os municípios catarinenses que aparecem na relação do Sintect, o Meio-Oeste se destaca pela quantidade de agências consideradas vulneráveis.
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A preocupação é ainda maior porque diversas dessas localidades dependem dos Correios para o envio e recebimento de documentos, encomendas, medicamentos e correspondências oficiais.
De acordo com o secretário-geral do Sintect, Helio Samuel de Medeiros, a falta de reposição de servidores pode comprometer diretamente o atendimento.
“Essas agências ficam sujeitas ao risco do funcionário sair ou se aposentar e não ter reposição. A população precisaria buscar outro município, gerando maiores deslocamentos tanto para quem precisa do serviço quanto para o funcionário que fará o atendimento”.
Segundo o sindicato, caso as unidades sejam fechadas, moradores terão de percorrer maiores distâncias para acessar os serviços postais, enquanto os empregados remanescentes precisarão ampliar suas áreas de atuação, reduzindo a eficiência das entregas.
Reestruturação foi suspensa temporariamente
Nesta semana, os Correios decidiram suspender temporariamente parte do plano de reestruturação financeira. Até o dia 31 de julho, permanecem congeladas medidas como o fechamento de agências e a redução de gratificações dos empregados.
A decisão ocorreu após pressão do movimento sindical e da possibilidade de uma greve nacional da categoria.
Mesmo assim, o sindicato continua apreensivo com os próximos passos da empresa.
“Temos medo da demissão, com certeza. Se for necessário demitir para salvar a saúde financeira da empresa, segundo eles, vai ser feito. Mas a nossa empresa não foi feita para dar lucro, foi feita para entregar serviço à população”.
Enquanto isso, os Correios informam que seguem avaliando alternativas para reorganizar sua rede de atendimento, incluindo parcerias com prefeituras e estabelecimentos comerciais.
Segundo a estatal, o objetivo é ampliar modalidades como o Correios Essencial e os Pontos de Coleta, mantendo o acesso aos serviços mesmo em municípios onde houver mudanças na estrutura física.
Seis agências já foram fechadas em Santa Catarina
Embora o plano esteja temporariamente suspenso, seis agências já encerraram as atividades nos últimos meses em Santa Catarina.
No Meio-Oeste, duas cidades foram diretamente afetadas: Ibiam e Rio das Antas. Também deixaram de contar com unidades próprias os municípios de Águas de Chapecó, Planalto Alegre, Presidente Castello Branco e Xavantina.
Conforme os Correios, os fechamentos fazem parte do processo de reorganização da empresa, buscando maior sustentabilidade financeira e integração operacional.
Além disso, algumas cidades catarinenses operam atualmente com atendimento reduzido durante a semana. É o caso de Erval Velho, que funciona às terças e quintas-feiras, além de outras cinco unidades espalhadas pelo Estado.
Os Correios ressaltam que esse modelo segue as normas da universalização postal.
“Destacamos que todas as agências elencadas com atendimento alternado atendem às diretrizes da universalização postal, que preveem o tempo mínimo de atendimento ao público no município de quatro horas semanais. O tempo de atendimento realizado por essas unidades atende o quantitativo de horas previsto no normativo legal”.
Crise financeira impulsiona mudanças
A reestruturação ocorre em meio à pior crise financeira da história dos Correios. Em 2025, a empresa registrou prejuízo de R$ 8,5 bilhões.
Entre os fatores apontados para o resultado estão a maior concorrência de empresas privadas de logística, a redução das encomendas internacionais após mudanças na tributação das compras no exterior e o aumento dos custos operacionais.
Para tentar equilibrar as contas, a estatal colocou em prática um pacote de medidas que inclui programas de desligamento voluntário, venda de imóveis, redução de despesas, fechamento de unidades deficitárias e contratação de empréstimos.

