O endividamento das empresas brasileiras continua em trajetória de alta e preocupa especialistas. Dados divulgados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostram que a quantidade de dívidas em atraso de pessoas jurídicas cresceu 14,97% em junho de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano passado. O avanço foi superior ao aumento de 12,40% no número de empresas negativadas, indicando que muitas organizações não apenas permanecem inadimplentes, como também acumulam novos débitos.
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Para o coordenador de Soluções do SPC Brasil, João Paulo Travasso Maia, o cenário revela um agravamento da situação financeira das empresas.
“O dado mais relevante não é apenas o crescimento de 12,40% no número de empresas negativadas, mas principalmente o avanço de 14,97% na quantidade de dívidas em atraso. Isso significa que o problema deixou de ser apenas a entrada de novas empresas na inadimplência: as empresas que já enfrentam dificuldades estão acumulando um número maior de compromissos financeiros não quitados.”
Dívidas antigas impulsionam o aumento da inadimplência
O estudo aponta que o crescimento foi puxado principalmente pelos débitos mais antigos. As dívidas com atraso entre quatro e cinco anos registraram aumento de 42,95%, enquanto aquelas com até 90 dias de atraso cresceram 3,96%.
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Outro dado que chama a atenção é o tempo médio de inadimplência das empresas, que já chega a 27,5 meses, demonstrando a dificuldade de regularização financeira de parte do setor produtivo.
Agricultura lidera crescimento entre empresas inadimplentes
Na divisão por segmentos econômicos, a Agricultura apresentou o maior crescimento no número de empresas negativadas, com alta de 13,57%. Em seguida aparecem os setores de Serviços (7,21%), Indústria (6,88%) e Comércio (4,67%).
Sob a ótica dos credores, o setor de Serviços concentra 75,87% de todas as dívidas empresariais em atraso.

Em junho, cada empresa negativada possuía, em média, uma dívida de R$ 7.056,91 distribuída entre 1,79 credores, segundo o levantamento.
Inadimplência também cresce entre consumidores
O cenário de inadimplência também se repete entre as famílias brasileiras. O número de consumidores com restrições de crédito aumentou 7,55% em relação a junho de 2025, enquanto a quantidade de dívidas em atraso avançou 13,32%.
Ao todo, o Brasil encerrou junho com 74,8 milhões de pessoas físicas negativadas, o equivalente a 44,62% da população adulta.
Segundo João Paulo Travasso Maia, períodos de maior pressão financeira costumam agravar dificuldades já existentes nas empresas.
“A sazonalidade não cria necessariamente o problema financeiro, mas costuma intensificar fragilidades que já estavam presentes na estrutura da empresa.”
Para reduzir os riscos da inadimplência, o SPC Brasil recomenda que empresários adotem uma gestão financeira contínua, diversifiquem as fontes de receita e busquem negociar prazos mais equilibrados entre pagamentos e recebimentos.




