Inadimplência das empresas cresce quase 15% no Brasil e acende alerta

Levantamento do SPC Brasil aponta aumento no número de empresas negativadas e mostra que débitos mais antigos impulsionam a alta da inadimplência

O endividamento das empresas brasileiras continua em trajetória de alta e preocupa especialistas. Dados divulgados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostram que a quantidade de dívidas em atraso de pessoas jurídicas cresceu 14,97% em junho de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano passado. O avanço foi superior ao aumento de 12,40% no número de empresas negativadas, indicando que muitas organizações não apenas permanecem inadimplentes, como também acumulam novos débitos.

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Para o coordenador de Soluções do SPC Brasil, João Paulo Travasso Maia, o cenário revela um agravamento da situação financeira das empresas.

“O dado mais relevante não é apenas o crescimento de 12,40% no número de empresas negativadas, mas principalmente o avanço de 14,97% na quantidade de dívidas em atraso. Isso significa que o problema deixou de ser apenas a entrada de novas empresas na inadimplência: as empresas que já enfrentam dificuldades estão acumulando um número maior de compromissos financeiros não quitados.”

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Dívidas antigas impulsionam o aumento da inadimplência

O estudo aponta que o crescimento foi puxado principalmente pelos débitos mais antigos. As dívidas com atraso entre quatro e cinco anos registraram aumento de 42,95%, enquanto aquelas com até 90 dias de atraso cresceram 3,96%.

Outro dado que chama a atenção é o tempo médio de inadimplência das empresas, que já chega a 27,5 meses, demonstrando a dificuldade de regularização financeira de parte do setor produtivo.

Agricultura lidera crescimento entre empresas inadimplentes

Na divisão por segmentos econômicos, a Agricultura apresentou o maior crescimento no número de empresas negativadas, com alta de 13,57%. Em seguida aparecem os setores de Serviços (7,21%), Indústria (6,88%) e Comércio (4,67%).

Sob a ótica dos credores, o setor de Serviços concentra 75,87% de todas as dívidas empresariais em atraso.

MEIs e pequenas empresas têm até fim de janeiro para regularizar dívidas
Foto: Divulgação

Em junho, cada empresa negativada possuía, em média, uma dívida de R$ 7.056,91 distribuída entre 1,79 credores, segundo o levantamento.

Inadimplência também cresce entre consumidores

O cenário de inadimplência também se repete entre as famílias brasileiras. O número de consumidores com restrições de crédito aumentou 7,55% em relação a junho de 2025, enquanto a quantidade de dívidas em atraso avançou 13,32%.

Ao todo, o Brasil encerrou junho com 74,8 milhões de pessoas físicas negativadas, o equivalente a 44,62% da população adulta.

Segundo João Paulo Travasso Maia, períodos de maior pressão financeira costumam agravar dificuldades já existentes nas empresas.

“A sazonalidade não cria necessariamente o problema financeiro, mas costuma intensificar fragilidades que já estavam presentes na estrutura da empresa.”

Para reduzir os riscos da inadimplência, o SPC Brasil recomenda que empresários adotem uma gestão financeira contínua, diversifiquem as fontes de receita e busquem negociar prazos mais equilibrados entre pagamentos e recebimentos.

Mulheres lideram os índices de endividamento no Brasil
Foto: Divulgação

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Fonte:
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