O Brasil enfrenta um cenário preocupante de inadimplência, que já atinge mais de 82 milhões de pessoas com o nome negativado. De acordo com o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa, 47% dos débitos ativos estão ligados ao setor financeiro, com destaque para os bancos, que representam sozinhos 27% de todas as dívidas registradas no país.
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Um levantamento mais aprofundado, realizado pela Serasa em parceria com o instituto Opinion Box, detalha o comportamento dos consumidores endividados com instituições financeiras.
O estudo mostra que 49% dos brasileiros com dívidas bancárias concentram múltiplos débitos em uma mesma instituição. Além disso, cada inadimplente possui, em média, mais de três dívidas em aberto, o que amplia a dificuldade de regularização financeira.
Cartão de crédito lidera o endividamento
Entre os principais motivos de inadimplência, o cartão de crédito aparece no topo da lista, sendo responsável por 73% das dívidas. Em seguida, surgem os empréstimos, com 56%, e o uso do limite da conta ou cheque especial, com 33%.
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Outro dado que chama atenção é o volume elevado dessas dívidas. Entre os consumidores que utilizam o cartão de crédito, 37% acumulam valores superiores a R$ 10 mil. Além disso, 36% afirmam conviver com essas pendências há mais de dois anos.
Segundo Aline Maciel, diretora da Serasa, o uso contínuo do crédito rotativo contribui diretamente para o aumento do endividamento.
“Quando o crédito rotativo passa a ser utilizado de forma recorrente, especialmente em valores elevados, o risco de endividamento prolongado aumenta significativamente. Isso ajuda a explicar por que uma parcela relevante da população permanece com dívidas por tanto tempo”, explica.
Desemprego e despesas básicas impulsionam dívidas
O estudo também revela que 38% dos brasileiros apontam o desemprego ou a perda de renda como principal motivo para as dívidas com bancos. Além disso, muitos consumidores relatam que recorreram ao crédito para cobrir despesas essenciais.
De acordo com Aline Maciel, o endividamento não está necessariamente ligado ao consumo excessivo.
“A pesquisa reforça que o endividamento bancário no Brasil não está ligado ao consumo impulsivo, mas a uma tentativa de manter o básico em dia”, afirma.
“Quando despesas essenciais, como alimentação e saúde, passam a ser financiadas no crédito, o risco de efeito bola de neve aumenta significativamente”.
Negociação e busca por renegociação
Apesar do cenário de inadimplência, o levantamento indica que há disposição para renegociar. Cerca de 71% dos entrevistados já tentaram negociar suas dívidas com bancos. Entre eles, 54,9% demonstram confiança em conseguir quitar os débitos.
Por outro lado, consumidores que ainda não conseguiram avançar nas negociações apontam como principais necessidades a redução de juros e maiores descontos para viabilizar os pagamentos.
Serasa oferece alternativas de renegociação
O Serasa Limpa Nome, plataforma de negociação de dívidas, passou a integrar ofertas de instituições financeiras ligadas ao programa Desenrola Brasil, com descontos que podem chegar a 90%.
A ferramenta permite que consumidores negociem dívidas com bancos como Itaú, Bradesco, Santander, Banco Pan, Banco BMG, BV, Neon e Nubank, além de outros setores como varejo e serviços.
Segundo Aline Maciel, o objetivo é ampliar o acesso a acordos mais viáveis.
“Estamos movimentando o mercado para que as instituições ofereçam condições diferenciadas e parcelamentos, buscando ajudar o consumidor a quitar as dívidas em sua totalidade”, destaca.

