A decisão da Comissão Europeia de restringir a entrada de produtos de origem animal brasileiros acendeu um sinal de alerta no setor produtivo de Santa Catarina. Embora a medida só passe a valer em 3 de setembro, lideranças da indústria já avaliam possíveis impactos econômicos e logísticos para um dos estados mais exportadores do país.
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A preocupação é reforçada pelos números do comércio internacional. Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), apenas as exportações catarinenses de produtos avícolas destinadas à União Europeia movimentam cerca de US$ 170 milhões por ano, valor que ultrapassa R$ 880 milhões na cotação atual.
Exigências sanitárias motivaram restrição
A justificativa apresentada pelo bloco europeu está relacionada ao cumprimento de requisitos sanitários exigidos para a produção animal. Entre os pontos questionados está a comprovação do uso adequado de medicamentos antimicrobianos empregados no tratamento e na prevenção de doenças em animais destinados ao consumo.
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Para retomar plenamente o acesso ao mercado europeu, o Brasil precisará demonstrar que todas as etapas da cadeia produtiva atendem às normas estabelecidas pela União Europeia. O processo envolve desde a criação dos animais até os controles sanitários exigidos para exportação.
Atualmente, os países do bloco representam aproximadamente 7,5% das exportações catarinenses de carnes e produtos avícolas, mantendo-se entre os principais destinos da produção estadual.
Impactos podem atingir toda a cadeia produtiva
Além das perdas diretas nas exportações, a FIESC alerta para os desafios de redirecionar rapidamente a produção para outros mercados consumidores. A operação exige adequações comerciais, logísticas e estratégicas que dificilmente são implementadas em curto prazo.
A entidade destaca ainda que os reflexos podem ultrapassar as indústrias exportadoras. Como a cadeia produtiva é altamente integrada, produtores rurais, transportadoras, fornecedores de insumos e empresas ligadas ao processamento de alimentos também podem sentir os efeitos da medida.
O Oeste catarinense, região onde a agroindústria tem papel fundamental na geração de emprego e renda, está entre as áreas que podem ser mais impactadas caso a restrição permaneça por um longo período.
Mel e pescado também estão entre os produtos afetados
A decisão europeia não se limita ao setor de carnes. Produtos como mel e pescado também foram incluídos nas restrições, ampliando as preocupações de diferentes segmentos do agronegócio brasileiro.
Mesmo com a redução da participação europeia nas exportações ao longo dos últimos anos, havia expectativa de crescimento dos negócios diante do avanço das negociações relacionadas ao acordo entre Mercosul e União Europeia.
Diante desse cenário, a FIESC acompanha as tratativas entre autoridades brasileiras e representantes europeus e defende rapidez na apresentação das comprovações sanitárias exigidas. O objetivo é evitar prejuízos maiores e preservar a competitividade dos produtos catarinenses no mercado internacional.

