O Avaí Feminino não estará presente na Série A2 do Campeonato Brasileiro de 2026. Embora o clube ainda não tenha oficializado publicamente a decisão, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no Rio de Janeiro, já foi informada da desistência. Com isso, a vaga que pertencia ao time catarinense na segunda divisão nacional será repassada ao Ceará.
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A saída da competição ocorre após um período de destaque seguido por instabilidade. Em 2023, a equipe viveu um de seus melhores momentos ao disputar a Copa Libertadores Feminina. No entanto, dificuldades financeiras comprometeram o projeto nos anos seguintes. O acúmulo de salários atrasados afetou diretamente o desempenho em campo e culminou no rebaixamento da elite do futebol feminino brasileiro em 2025.
A crise atingiu também o futebol masculino do clube, o que levou à abertura de um processo eleitoral interno. Apontado como principal responsável pela situação financeira do Avaí, o então presidente Julio Herdt optou por não disputar a reeleição. A nova gestão, comandada por Bernardo Pessi, anunciou como uma de suas primeiras medidas a transferência da equipe feminina de Caçador para Florianópolis.
Crise no feminino
Apesar da mudança de sede, nenhuma das mais de 20 atletas que integravam o elenco em 2025 teve contrato renovado. Além disso, 14 jogadoras ingressaram com ações na Justiça do Trabalho para cobrar salários em atraso. O impacto da crise ultrapassou o elenco: até uma cozinheira que atuava no preparo das refeições da equipe em Caçador ficou sem receber e também recorreu à Justiça.
Os problemas não se limitaram à esfera financeira. Duas atletas que sofreram lesões enquanto defendiam o Avaí foram deixadas sem o suporte necessário. Um dos casos mais emblemáticos é o da meio-campista Julia Cipriani, campeã brasileira com o Nápoli de Caçador em 2021. Sem apoio institucional, ela recorreu a uma vaquinha online para custear o tratamento e conseguiu realizar, em janeiro deste ano, uma cirurgia no joelho, viabilizada com auxílio pessoal do médico do Avaí, Luis Fernando Funchal. A atleta segue em recuperação e a expectativa é de retorno aos gramados antes do fim do ano.
Mesmo diante do cenário adverso, o presidente Bernardo Pessi reafirma que o clube não pretende encerrar as atividades do futebol feminino. A estratégia passa por concentrar esforços nas categorias de base, com a intenção de disputar competições nacionais sub-17 e sub-15. Para isso, o Avaí pretende aproveitar atletas oriundas da escolinha do Fair Play, localizada em uma estrutura de quadras de grama sintética em frente ao estádio da Ressacada, em Florianópolis.
Saudoso Salézio
O diretor de futebol feminino, Jonas Estêvão, segue à frente do projeto desde os tempos em que o Kindermann ainda não possuía parceria com o Avaí. Após a morte do empresário Salézio Kindermann, em 2020, vítima da Covid-19, a família decidiu encerrar o projeto idealizado pelo patriarca, repassando integralmente a gestão ao clube da capital.
Mantido no cargo, Jonas mudou-se para Florianópolis e trabalha na organização das categorias de base. No entanto, enfrenta limitações estruturais importantes, já que o Avaí não dispõe atualmente de alojamentos, campo de treinamento exclusivo ou departamento médico voltado ao futebol feminino. A ideia é, a longo prazo, utilizar as instalações do CEFA – Centro de Formação e Aperfeiçoamento – da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no bairro Tapera. O espaço está desativado há alguns anos, mas conta com salas que poderiam servir como alojamento, além de campos de futebol.
Jonas também relata dificuldades na captação de recursos. Segundo ele, até mesmo empresas tradicionais que costumam patrocinar o Avaí têm se mostrado resistentes a dialogar sobre apoio ao projeto feminino.
Brasileirão
Na composição da Série A2 de 2026, o Ceará foi convocado por ter alcançado a sétima melhor campanha da Série A3, terceira divisão do futebol feminino, em 2024. Os quatro primeiros colocados garantiram acesso direto: Atlético do Piauí, Vila Nova (GO), Itabirito (MG) e Doce Mel (BA). Posteriormente, com as desistências de Fortaleza e Real Brasília, também foram promovidos o Pérolas Negras (RJ) e o UDA (AL).
A Série A3 contou com 32 clubes na edição de 2025. Representando Santa Catarina, o Criciúma terminou a competição na 20ª colocação.
Caso não ocorram novas alterações até o dia 14 de março, data prevista para o início do torneio, a Série A2 será disputada por: Minas Brasília, Taubaté, Vasco, Ceará, Ação-MT, Itacoatiara, Paysandu, Rio Negro-RR, Sport, 3B da Amazônia, Itabirito, Vila Nova, Doce Mel, Atlético Piauiense, Pérolas Negras e UDA-AL.

